A empresa Guimatra S.A. Indústria e Comércio, de Cascavel, com 33 anos de existência, a maior fabricante de plásticos (polietileno) do Paraná, requereu ontem à tarde autofalência na comarca local, porque acumulou dívidas que inviabilizam sua operação. A empresa, que faturava mensalmente R$ 2 milhões, em média, tem passivo de R$ 5,1 milhões, e apenas de juros, mensalmente a dívida vinha sendo acrescida em cerca de R$ 200 mil - no ano passado, foram R$ 2,36 milhões.
O principal diretor da Guimatra, Remi Dal Pai, um dos empresários com maior tradição na cidade, tentou de todas as maneiras soluções para a crise, através de fusão com outras empresas ou mesmo venda da indústria, e também evitar o corte no fornecimento de matéria-prima, mas não o conseguiu. Dal Pai considerou ‘‘paliativo inócuo’’ requerer concordata, pois a empresa não dispõe de recursos para continuar operando, nem para pagar seus 323 funcionários.
Por isso, Remi Dal Pai optou diretamente pela autofalência, requerida através do advogado Jaceguay Ribas, de Curitiba. Segundo outro advogado, José Alberto Dietrich, de Cascavel, que também assessora o empresário, ele ‘‘está profundamente deprimido, depois de tantos anos de luta para manter a empresa’’. A Guimatra originou-se de uma pequena fábrica de implementos agrícolas, passando depois a produzir máquinas para o processamento do polietileno.
A Guimatra também industrializava 800 toneladas mensais do plástico. Nos últimos anos, precisou recorrer a empréstimos bancários para formar capital de giro, mas teve finanças corroídas pelas taxas de juro, ao mesmo tempo em que se iniciou uma recessão no mercado nacional. As 63 máquinas da empresa e imóveis - inclusive a residência de Remi Dal Pai - foram dadas em garantia às operações bancárias. Os problemas porém não foram superados.
No balanço de 98 aparecem cifras que indicam que 64% de todas as despesas operacionais (R$ 3,67 milhões) foram para o pagamento de juros. Há poucos dias, fornecedores da matéria-prima avisaram que estavam suspendendo remessas encomendadas, por falta de pagamento de pedidos anteriores. O governo do Paraná tentou sem sucesso articular apoio a Guimatra, através de gestões do secretário Eduardo Sciarra, aproximando possíveis interessados na compra ou associação à indústria.
Entre os principais credores da Guimatra está a Ipiranga Petroquímica, com haveres de R$ 1,13 milhão. Segundo diretores, o patrimônio da empresa (localizada à margem da BR-277, na zona sul de Cascavel) é de cerca de R$ 12 milhões, e sua venda, no período falimentar, é suficiente para cobrir débitos acumulados, com fornecedores, bancos e funcionários. Caberá à Justiça a nomeação de síndico, para gerir a massa falida.

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