São Paulo O Greenpeace divulgou, na semana passada, uma nova lista de produtos nacionais suspeitos de conter ingredientes geneticamente modificados. A publicação, intitulada Guia do Consumidor, traz uma relação de cerca de 650 produtos, de 81 empresas, divididos em uma lista verde (sem transgênicos) e outra vermelha (com transgênicos).
A classificação não é baseada em análises técnicas, mas em questionários enviados aos fabricantes. A organização não-governamental pediu às empresas uma garantia por escrito de que não utilizam soja ou milho geneticamente modificados. As que não responderam foram colocadas na lista vermelha.
''A empresa que adota práticas de controle não teria por que omitir isso do consumidor'', disse Tatiana Carvalho, assessora da campanha antitransgênicos do Greenpeace. Segundo ela, 26 novas empresas foram incluídas nesta segunda edição do guia - 20 na lista vermelha e 6 na verde. Além disso, quatro empresas da lista antiga passaram para a categoria livre de organismos geneticamente modificados (OGMs). ''É a única referência no Brasil para os consumidores que quiserem evitar os transgênicos'', disse Tatiana.
De acordo com ela, a listagem é feita com base em questionários porque o Greenpeace não tem capacidade para testar todos os produtos. O milho transgênico ainda não foi liberado no Brasil. A soja Roundup Ready (RR), da empresa Monsanto, foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), mas teve sua liberação barrada por uma ação judicial. O processo, que já dura cinco anos, foi movido pelo Greenpeace e pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) contra a Monsanto e a União. Confrontado com o plantio ilegal de soja modificada no Rio Grande do Sul, o governo baixou medida provisória liberando a safra deste ano inclusive para consumo humano. Também determinou, no mês passado, que qualquer alimento contendo mais de 1% de transgênicos deverá ser rotulado.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Edmundo Klotz, admite que alguns produtos possam conter ''traços'' de transgênicos, mas garante que todos estão abaixo do limite de 1%. ''Estamos totalmente dentro da legalidade.'' Ele classificou a lista do Greenpeace como ''chantagem'' e ''terrorismo'': ''Se aparecer algum produto com mais de 1% vou contestar, porque temos contraprova para todos.''
Especialistas consideram exagerada a polêmica sobre o consumo de transgênicos. ''Risco sempre existe, mas o do OGM não é maior que o dos alimentos convencionais'', disse o bioquímico Flávio Finardi Filho, do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Universidade de São Paulo. ''Não há causa para alarme.''
A soja e o milho transgênicos já são consumidos em larga escala há mais de cinco anos em diversos países. ''Esses produtos foram pesquisados extensivamente e não há nenhuma comprovação de que possam fazer mal'', garantiu Finardi.

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