O comissário para Agricultura da União Européia, Franz Fischler, admitiu ontem que a próxima rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista para novembro, em Doha, no Catar, está ameaçada, diante da guerra declarada pelos Estados Unidos ao Afeganistão. ''A reunião em Doha acontecerá desde que a questão da segurança esteja resolvida. Portanto, no momento, não temos uma resposta final para isso'', observou.
Fischler salientou, contudo, que independentemente da questão de segurança - na situação atual do mundo, e da guerra declarada ao terrorismo - é essencial que os preparativos para uma rodada multilateral da OMC continuem. ''Precisamos demonstrar ao público externo que todos os países democráticos estão a favor do multilateralismo. E que queremos que os acordos comerciais funcionem'', afirmou.
''Se não fizermos isso estaremos mandando o sinal errado'', alertou o principal negociador da União Européia na área agrícola durante entrevista coletiva após encontro com o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, e empresários do ramo do agronegócio brasileiro. Participaram da reunião com Fischler e Pratini representantes dos setores de óleos vegetais, de carnes, de álcool e açúcar, de frutas e de entidades vinculadas à pecuária de corte, além de técnicos do Ministério da Agricultura e do Itamaraty.
Fischler disse ainda que a União Européia está disposta a tornar ''um êxito'' a próxima rodada de negociações da OMC. Nesse sentido, disse que a proposta de negociação apresentada pela UE em fevereiro passado apóia maior liberalização na área agrícola, desde que as questões comerciais e não-comerciais sejam abordadas de forma equilibrada e que seja dado um tratamento especial e diferenciado aos países em vias de desenvolvimento.
''Estamos prontos para novas medidas de liberalização, desde que todos os países avancem na mesma direção e que todos eles, incluídos os em desenvolvimento, tirem proveito da expansão das trocas comerciais'', afirmou.
Segundo ele, a UE está disposta a reduzir os subsídios à exportação, mas não pode aceitar isso sem que seja aplicada uma disciplina equivalente no âmbito da OMC a outras medidas de apoio às exportações utilizada pelos seus parceiros comerciais.

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