Rio A eclosão da guerra dos Estados Unidos contra o Iraque poderá levar a uma queda de 50% na demanda dos vôos ligando o Brasil ao resto do mundo. A estimativa é da entidade que reúne agências de viagens de negócios do País. Ontem, dia seguinte ao ultimato do governo norte-americano, houve cancelamentos de reservas. Companhias internacionais já estão facilitando o adiamento de viagens e algumas cortaram rotas para o Oriente Médio.
''As viagens internacionais já caíram cerca de 15% do Brasil para o exterior. Se houver guerra, a queda pode chegar a 50%'', disse o presidente do Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais (Favecc), Goiaci Alves Guimarães, confirmando que houve ''bastante cancelamentos'' ontem. ''É uma síndrome. Na realidade não existe risco efetivo'', ponderou Goiaci, que viaja amanhã para Paris, quando termina o prazo para a invasão.
A retração nas viagens para os Estados Unidos e Europa se intensificou desde a semana passada, disse o presidente da Avipam, Fernando Slomp. A Avipam é uma das cinco maiores agências corporativas do País, com faturamento anual perto de US$ 95 milhões. Slomp conta que companhias estrangeiras já apontaram a possibilidade de redução na oferta de vôos e que clientes multinacionais estão orientando seus executivos a viajarem em caso de ''extrema necessidade''.
Com a expectativa de redução da demanda, as companhias aéreas se antecipam e reduzem a oferta de vôos, podendo gerar, conforme a rota, reação em cadeia em outros mercados. Na Guerra do Golfo, por exemplo, o mercado brasileiro acabou afetado indiretamente pela redução do número global de viagens, explicou Slomp. Ontem, a British Airways informou a suspensão de seus vôos de Londres (Inglaterra) para o Kuwait e Tel Aviv (Israel).
Já empresas como a Air Canada e Lufthansa decidiram, nos últimos dias, facilitar o processo de remarcação de viagem, retirando multas e limites para a mudança de datas da viagem por causa da guerra. Na empresa canadense, os passageiros que tiverem viagem marcada no período de 30 dias a contar do início do conflito, poderão fazer a remarcação, sem pagar taxas ou perder o desconto que conseguiram na compra de passagens.
''Caso ocorra o conflito, a tendência é a retração da demanda, principalmente nos vôos internacionais'', comentou a gerente de vendas para o Brasil da Iberia, Carmen Lage. Para um analista do setor, o principal problema estaria nas rotas da Europa e Estados Unidos com o Oriente Médio. No Brasil, Varig e TAM informaram que ainda não alteraram a programação de vôos internacionais ou procedimentos de remarcação de viagens.

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