Guerra pode reduzir preço de commodities
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segunda-feira, 24 de março de 2003
Agência Estado 
Rio O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, alertou para uma tendência de queda no preço das principais commodities agrícolas nos próximos meses, causada pelo conflito entre Estados Unidos e Iraque. ''Houve um salto de demanda no pré-guerra que gerou um adicional de preços. Se não houver novo incremento nesta demanda por causa da redução de produção em alguns países, em virtude da guerra, é praticamente certo que os preços voltem aos patamares anteriores'', disse ontem, ao participar da abertura do 4.º Seminário Internacional de Café, que está sendo realizado no Rio.
Segundo o ministro, o cenário internacional da guerra no Iraque pode resultar em dois extremos para a agricultura. O primeiro, bastante negativo, ocorreria em caso de guerra muito longa com efeitos ''nefastos'' no terrorismo internacional e aumento nos custos de produção, o que poderia levar a uma recessão mundial. ''Aumento de custos e redução de preços seria o pior dos mundos'', disse.
Na segunda hipótese, com uma guerra curta, não há expectativa de interferência nos preços. ''Sendo bastante otimista, podemos até acreditar que este cenário gere uma demanda adicional de alimentos porque uma boa parcela de recursos orçamentários de alguns países foi voltada para a máquina de guerra. Isso daria uma boa oportunidade para o Brasil aumentar sua participação no mercado internacional.''
Crédito - Rodrigues observou que dificilmente o setor cafeeiro verá atendida a reivindicação para a abertura de uma linha de crédito destinada à exportação junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ''O governo vai examinar propostas e ver quais são as interfaces que poderão ser atendidas. A linha de crédito no momento é difícil por conta de restrições orçamentárias que o Brasil enfrenta hoje. Mas certamente haverá outra saída para o setor'', afirmou.
Para o ministro, o maior desafio do setor cafeeiro nacional é aumentar sua participação no mercado internacional de café torrado e moído. ''É inviável que um país como o Brasil tenha apenas 1% deste mercado, enquanto a Alemanha, que sequer é produtora de café, possui uma participação pelo menos três vezes maior que isso.''
Na sua avaliação, a própria indústria do café tem de investir e se preparar para agregar valor ao produto e consequentemente aumentar sua participação no mercado internacional. A forma de financiamento para que ocorra este ''preparo'' da indústria necessariamente não precisa vir do governo, mas pode ser firmada a partir de parcerias entre a iniciativa privada e associações de classe.


