São Paulo Depois de ''estrear'' na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), aumentando a taxa referencial de juros do mercado (Selic) em meio ponto percentual, para 25,5% ao ano, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, pode se ver obrigado a dar sequência ao movimento de alta no próximo dia 19.
A reunião, que começa dia 18, ocorrerá quatro dias depois da apresentação do relatório do chefe dos inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), Hans Blix, sobre sua viagem ao Iraque neste fim de semana.
A apresentação de Blix é considerada uma espécie de prazo limite para os EUA definirem sua posição a respeito de um provável ataque ao Iraque o que, na prática, também obriga a ONU a se definir.
Até agora, o vai-e-vem diplomático indica que os EUA devem atacar com apoio britânico, mas sem conseguir o consenso na ONU, onde França e Alemanha resistem em sua posição contrária à guerra.
Se isso se confirmar, a tendência, segundo especialistas, é de uma guerra mais demorada do que se previa inicialmente - o que aumentaria a pressão sobre os mercados, com chances de uma nova escalada do dólar no Brasil e o decorrente aumento de preços, obrigando o BC a voltar à carga contra a inflação.
Na última quinta-feira, o chefe da Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, José Carlos Rocha Miranda, afirmou que uma guerra de três a quatro meses de duração poderá requerer a necessidade de alta dos juros em três pontos percentuais, não só pela inflação, mas também para manter os fluxos mínimos de capital no País. Horas depois, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) desmentiu Miranda.
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), os contratos de juro DI para março, que tomam por base a Selic, bateram nos 26,5% - um ponto acima da taxa atual. O contrato para julho fechou em 27,6% e para outubro, em 28,45%.

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