Guerra nos ares
A brasileira Embraer não espera nenhuma mudança na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a disputa entre Brasil e Canadá, envolvendo os subsídios à indústria aeronáutica brasileira, tampouco espera uma ajuda do governo de seu país, declarou ontem o presidente da companhia, Maurício Botelho (foto). A OMC deve opinar pela terceira vez, no fim do mês, sobre a legitimidade do sistema brasileiro de ajuda às exportações da indústria aeronáutica civil, segundo fontes da organização em Genebra. Tal ajuda foi decisiva para alavancar a companhia brasileira na década de 90. A situação continua igual. Na OMC, ambas as partes (Brasil e Canadá) continuam se enfrentando e nós, companhias, estamos lutando em cada um dos mercados mundiais. Não esperamos mudanças no futuro, explicou Botelho, ontem, em Paris. Não recebi nada, respondeu, ao ser perguntado se havia recebido garantias do governo brasileiro de que ia continuar lutando no caso do Proex, programa de apoio às exportações. Botelho, que preside a quarta fabricante mundial de aviões, segundo dados da própria Embraer, acredita que o motivo da disputa diante da OMC continua sendo essencialmente político. Nós vemos que o Canadá apóia a Bombardier do mesmo modo que o Brasil a Embraer, e isso é algo que continuará até que ambos os países façam um acordo político sobre a disputa, opinou. A Embraer ostenta atualmente a liderança mundial do setor de aviões de 20 a 69 assentos, com 47% do mercado, garantiu Botelho. A companhia brasileira disputa o setor da aviação regional com a Bombardier, que anunciou ontem a venda de 50 aparelhos à companhia alemã DSF por 1,5 bilhão de dólares.





