Curitiba O prolongamento da guerra no Iraque, que foi vendida inicialmente como intervenção rápida pelos Estados Unidos, já causa os primeiros estragos no comércio exterior brasileiro. Várias entregas de empresas paranaenses para clientes do Oriente Médio (OM) estão sendo adiadas. A transação de bens nos próximos dois meses para esse destino deve ficar paralisada.
Mas, por enquanto, não há confirmação de cancelamento de contratos de acordo com informações do Instituto Centro de Comércio Exterior do Estado do Paraná (Cexpar), do Conselho de Comércio Exterior (Concex) da Associação Comercial do Paraná e da Câmara Brasileira de Comércio Árabe-Brasileira.
Segundo o presidente do Cexpar, Zulfiro Bózio, não há posicionamento oficial sobre a situação, mas várias empresas reportaram que vão deixar de fazer entregas durante abril e maio. ''Isso prejudica muito porque já temos o material pronto com antecedência. Como não podemos entregar, os juros bancários vão comendo o material em estoque'', relatou.
Em alguns setores, as indústrias não têm alternativa de redirecionar os produtos para outros mercados, explicou Bózio. ''No caso de eletroeletrônicos, há padrões técnicos diferentes que impedem a venda para outros clientes'', relatou. Outro complicador, de acordo com ele, é que o mercado interno não está aquecido. Ele disse que o prolongamento da guerra já era esperado. ''Essa situação já era prevista por quem atua no comércio exterior'', relatou.
O coordenador do Concex, Luiz Alberto de Paula, também disse que o cenário aponta para um prolongamento da guerra. Para ele, os agentes exportadores têm que ficar em espera. ''Imagino que apenas em 15 dias vamos ter uma definição da situação'', relatou. Para ele, é normal a redução do fluxo de bens com o Oriente Médio. ''Tivemos um boom de exportações de frango para o Oriente, porque estavam preocupados em fazer estoques para suportar esse período'', explicou. No entanto, ele disse acreditar que as exportações para outras regiões, como União Européia e Estados Unidos, não serão prejudicadas.
Desde o início da investida americana contra o Iraque, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira não está se pronunciando. Mas o órgão informou que o comércio com o Iraque representa uma parcela pequena de tudo o que é exportado aos países árabes.

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