A guerra fiscal iniciada na metade dos anos 90 e intensificada nos últimos três anos já começa a revelar um novo mapa do emprego industrial no País. Estados da região Centro-Oeste, o Paraná e o Ceará viram aumentar a força de trabalho na indústria entre 1989 e 1998, tornando-se uma nova fronteira de empregos nesse setor da economia. No mesmo período, houve queda no número de vagas na indústria nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas, este último por conta do impacto da liberação das importações de bens de consumo, que afetou a Zona Franca de Manaus.
Apesar da queda no número de empregos, São Paulo continuou respondendo por 50% do produto industrial bruto do País, o equivalente em 1989 a R$ 148,5 bilhões. Um volume de dinheiro que tem tudo a ver com os ganhos de produtividade dos 2,5 milhões de empregados da indústria naquele ano, uma vez que o resultado bruto de cada trabalhador, de R$ 59,400, ficou 23,5% acima da média nacional.
Estes são alguns dos dados preliminares de pesquisa que o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade de Campinas (Unicamp) está realizando com financiamento do CNPq e do Diesse e que foram apresentados ontem na 52ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) pelo pesquisador Paulo Baltar.
Ele explica que enquanto o emprego industrial teve aumento de 10% no Paraná em 1989, o ganho de produtividade foi de apenas 13%, ainda assim acima da média nacional, mas bem mais baixo do que o de São Paulo. ‘‘A migração de empregos industriais para outras regiões implicou numa exigência maior dos trabalhadores de São Paulo, que, em menor número, continuam a responder pela mesma parcela de participação do produto industrial’’, diz Baltar.
O economista também não acredita que o emprego industrial venha a criar uma nova situação de trabalho nos lugares que fizeram uso de instrumentos fiscais para atrair empresas. ‘‘A participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) tem se mantido em torno de 20% a 25% ao longo do tempo, e o emprego industrial pela mesma faixa’’. Houve, porém, ressalta Baltar, crescimento no número de empregos do setor de serviços. ‘‘Alguns dos novos postos de serviços são resultantes de terceirizações de indústrias, e é isso que nos queremos detectar: para onde foram os empregos da indústria, pois a população cresceu e a curva de desemprego não expressa uma alta correspondente a todas as demissões da indústria’’. O trabalho, acredita Baltar, deve ficar pronto até o final do ano. Mas já identificou também que o comércio tem apresentando crescimento nos grandes centros, muito em função dos avançados serviços de distribuição e logística e da movimentação no segmento de varejo.
O pesquisador, também ao analisar os dados macroeconômicos de 1989 a 1998, verificou que o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos as mercadoriais e serviços finais produzidos no período de um ano, tem crescido abaixo das taxas de crescimento da população, apesar da recuperação nos investimentos com formação bruta de capital fixo, ou em bom português máquinas e equipamentos. Tanto que para um PIB de R$ 726,8 bilhões em 1990, em valores correntes de 1998, o que representou uma queda de 4,4% em comparação aos R$ 759,9 bilhões de 1989, a formação bruta de capital fixo atingiu 15,5% do PIB, uma queda de 11,2% em relação à fatia de 16,7% do PIB de 1989.

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