A guerra fiscal entre os Estados e municípios brasileiros pela atração de montadoras de automóveis foi ‘‘puro desperdício de dinheiro público’’. Enquanto no Brasil o valor dos incentivos estaduais e municipais chega a US$ 174,3 mil (cerca de R$ 353 mil) por cada emprego gerado, nos Estados Unidos essa relação cai para até US$ 4.000 (cerca de R$ 8.100) de incentivos por emprego.
A conclusão e os números são do trabalho ‘‘Guerra Fiscal, Espaço Público e Indústria Automobilística no Brasil’’, apresentado ontem no Rio pelo engenheiro Glauco Arbix, do Departamento de Sociologia da USP (Universidade de São Paulo). Segundo Arbix, a ausência de uma política industrial no País e também de parâmetros claros, em termos de retorno, que balizem as disputas entre os Estados, tornaram ‘‘a guerra fiscal no Brasil a mais cara do mundo’’.
Para Arbix, os Estados e municípios brasileiros mostraram despreparo nas negociações com as montadoras e os contratos resultantes delas têm muitos compromissos do setor público com as empresas e poucas contrapartidas por parte destas.
Ele destaca também que, com exceção da ida da Ford para a Bahia, a descentralização do setor automobilístico gerada pela guerra fiscal acabou beneficiando apenas a região mais rica do país (Sul-Sudeste). Outra conclusão de Arbix, com a ressalva de que ela é ainda ‘‘muito preliminar’’, é de que ‘‘todos os Estados que se envolveram em guerra fiscal’’ nos anos 90, com exceção do Ceará, perderam participação relativa no PIB (Produto Interno Bruto). No Rio Grande do Sul, a participação, segundo o pesquisador, caiu de 7,2% em 1990 para 7% em 1998 (último dado disponível). No Paraná, a queda foi de 6,1% para 5,8%.

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