Guerra eleva vendas de carne
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de outubro de 2001
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
As exportações de carne bovina devem superar este ano as 750 mil toneladas previstas, em razão dos ataques dos EUA ao Afeganistão. ''Na primeira semana, os compradores deverão ficar um pouco mais resistentes, mas acabarão por antecipar as importações de carne para formar estoques, temendo um possível desabastecimento mundial'', afirmou ontem o presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Edivar Queiroz. Com os ataques, ele prevê que as exportações deverão crescer 2% sobre as estimativas.
Se a estimativa for confirmada, as exportações de carne bovina somarão 765 mil t em 2001, ante 553.700 t em 2000, conforme a Abiec. ''Além dos conflitos, as exportações sempre são melhores no segundo semestre do ano'', afirmou Queiroz.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados pela FNP Consultoria, mostram que as exportações acumuladas até agosto somam 478.477 t, ante 381.437 t no mesmo período de 2000.
Para o analista José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, o ponto desfavorável dos ataques dos Estados Unidos ao Afeganistão é o aumento dos custos de frete das cargas frigorificadas.
Para cargas destinadas ao Oriente Médio, Ásia Central e norte da Ásia, houve um aumento no preço do frete de US$ 100 a US$ 500 por contêiner, informou o analista. Atualmente, o preço do seguro para cargas frigorificadas é de US$ 6 mil por contêiner.
Açúcar A guerra entre Estados Unidos e Afeganistão deixa ainda mais nebuloso o mercado de açúcar, por conta das incertezas geradas pela dificuldade de envio do produto aos países da chamada zona de conflito. Esses países estão entre os maiores importadores mundiais da commodity.
Por enquanto, as exportações brasileiras não devem ser prejudicadas, acredita Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, especializada no setor sucroalcooleiro. As vendas externas de açúcar, diz, devem continuar mesmo com a dificuldade encontrada por algumas empresas na contratação de navios para entregar o produto na região. ''Acredito que esses são casos isolados. O açúcar vai chegar de alguma maneira ao seu destino'', afirma.
Nastari avalia que, a curto e médio prazos, a tendência para o mercado é positiva, já que, em situações como esta, é comum os países envolvidos decidirem aumentar seus estoques de alimentos. ''Em tempos de guerra, os produtos alimentícios viram uma questão estratégica''.
Elio Micheloni Júnior, corretor da Hencorp Commcor em São Paulo, acredita que o conflito piora um cenário que já era negativo por conta do desequilíbrio entre grande oferta e lentidão da demanda. Antes mesmo dos ataques terroristas ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington, as compras de açúcar demerara estavam lentas.


