Produtores encontrarão dificuldades para comprar fertilizantes e defensivos se a guerra entre EUA e Iraque demorar mais que 60 dias. Como parte da matéria-prima (princípio ativo) é importada, o abastecimento neste setor ficaria comprometido, provocando altas nos preços dos estoques disponíveis nas regiões agrícolas.
Esta preocupação foi manifestada ontem pelo presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, diante da decisão quase irreversível dos norte-americanos de invadirem o Iraque.
Nem todos os agricultores, porém, serão prejudicados. Pela explicação de Meneguette, aqueles que obtiveram boa liquidez na safra passada e, cautelosamente, anteciparam as compras de insumos não encontrarão dificuldade para os próximos plantios. Aumentos nos custos, todavia, parecem inevitáveis.
Frete marítimo -- Os exportadores de frangos e suínos ao Oriente Médio também arcarão com prejuízos diante de inevitáveis aumentos nos preços dos fretes marítimos, tirando-lhes a competitividade perante o mercado internacional.
Soja/números -- Câmbio comportado (o dólar comercial ficou em R$ 3,518/3,523; o paralelo, R$ 3,530/3,580), não adiantou a Bolsa de Chicago fechar em alta, ontem, que o mercado interno, indiferente, se manteve retraído. Os preços vão recuando, como previram os especialistas em commodities - veja preços nos indicadores, da página 2.
As novidades ontem ficaram por conta de mais uma previsão da safra argentina e da confirmação dos números da safra brasileira.
Segundo a Bolsa de Cereales de Buenos Aires, do total da área plantada estimada em 12,8 milhões de ha na safra 2002/03, cerca de 2,5% já se encontram colhidas (313.785 ha). A área plantada estimada, porém perdida, é de 49.000 ha, o que leva a uma área possível de ser colhida de 12.751 mil ha. A produtividade foi de 2.405 kg/ha. Segundo o último relatório do USDA, a Argentina deverá produzir 33,5 milhões de t de soja no ano safra em questão.
Confirmando -- Sobre a safra brasileira já saíram números do Usda, da Abiove, da Conab, e de empresas de consultoria. Ontem saíram os números da Céleres, de Uberlândia. Deverá mesmo atingir o recorde de 50,95 milhões de toneladas - 19,6% superior à produção do ano passado (42,59 milhões de t).
O recorde de produção se deve ao avanço na área plantada, que atingiu 18,4 milhões de ha, 12% mais do que no ano passado, ao aumento de 7% na produtividade e às boas condições climáticas, que contrariam os temores do início da safra.
Portanto, houve um ganho em produtividade (7%), já o percentual de aumento do volume é maior que o percentual de expansão da área.
O Brasil vai exportar 20,3 milhões de t, que vão render US$ 7,78 bilhões.

mockup