Agência Estado
De Washington
O secretário do Comércio dos Estados Unidos, William Daley, afirmou ontem que continuará a aplicar as leis anti-dumping de seu país e defenderá as ações recentes da administração Clinton na área do aço contra exportadores brasileiros, durante a visita que fará ao Brasil, no início da próxima semana. Daley passará dois dias em Brasília e em São Paulo à frente de uma missão comercial integrada por dezenove executivos de empresas das áreas de Internet, telecomunicações, farmacêutica, de energia e de controle ambiental. Ele disse que discutirá também, em seus encontros com o governo brasileiro, a preocupação de Washington com certos aspectos da aplicação das leis de proteção de patentes farmacêuticas e de outras formas de propriedade intelectual, cuja adoção elogiou.
O secretário do Comércio afirmou ainda que pretende manifestar às autoridades e aos empresários e estudantes de administração de empresas com que terá contato no País a apreensão de Washington sobre a iniciativa recente do governo de Minas Gerais de mudar contratos associativos da Cemig para limitar direitos de empresas americanas que investiram em companhias em fase de privatização. ‘‘Os EUA são o maior investidor no Brasil e esse tipo de ação unilateral, tomada por um governador por razões políticas, é uma mensagem deprimente para outros investidores potenciais’’, disse Daley, falando a uma platéia de estudantes e jornalistas da Universidade John Hopkins, em Washington.
Apresentada como a primeira missão comercial americana do século 21, a viagem de Daley é mais significativa, na verdade, por ser a primeira depois do colapso da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle, em dezembro passado, e por ocorrer num momento de crescimento dos sentimentos protecionistas nos dois países, em que o contecioso na área do aço complica o diálogo entre os governos. Entre as várias razões que levaram ao fiasco de Seattle está a resistência da administração Clinton de atender a uma iniciativa do Japão e outros países asiáticos de rever as regras anti-dumping da OMC. Segundo críticos do porte de Joseph Stiglitz, o ex-economista-chefe do Banco Mundial e catedrático de da Universidade de Stanford, as regras atuais permitem que países ricos como os EUA mantenham políticas protecionistas em setores específicos e servem como mau exemplo de prática restritiva ao comércio.
O objetivo oficial da missão encabeçada por Daley é explorar novas oportunidades de negócios para empresas americanas no Brasil e nos três outros países do Cone Sul que visitará – Uruguai, Argentina e Chile. Um terço dos empresários que acompanharão o secretário do Comércio são do setor de tecnologia de informação e Internet. ‘‘Essa missão mostra como as empresas e o governo devem trabalhar juntos’’, afirmou. ‘‘As empresas americanas estão claramente avançando na América Latina, expandindo o comércio e os investimentos, encontrando novos parceiros e trazendo novos produtos ao mercado’’. Daley avisou que ‘‘isso continuará, com ou sem o governo’’. Mas acrescentou que ‘‘a ação do governo (dos EUA) pode fazer isso acontecer mais rapidamente’’.
Em Brasília, Daley tem encontros marcados com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, e com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, segundo fontes oficiais, terá uma recepção fria e ouvirá cobranças sobre decisões recentes do departamento de Comércio, em casos anti-duping, para fechar o mercado americano para centenas de produtos laminados de aço brasileiro.Secretário norte-americano chega ao Brasil na próxima semana à frente de uma missão comercial
Arquivo FolhaRELAÇÕES ESTREMECIDASLuiz Felipe Lampreia, ministro das Relações Exteriores, terá o primeiro contato com o representante dos EUA e comitiva de empresários que o acompanhará: promessa de recepção fria