Guerra de preços entre postos chega a Cambé
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terça-feira, 19 de junho de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem local 
R$0,40. Esta é a diferença que o consumidor pode encontrar entre os preços da gasolina comercializada em Londrina e Cambé, comparando postos da mesma bandeira. A discrepância dos valores está levando muitos londrinenses a se deslocarem até a cidade vizinha para encher o tanque. De acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizado entre os dias 10 e 16 de junho, o combustível em Londrina estava sendo comercializado em média a R$ 2,79 o litro, enquanto em Cambé a média era de R$ 2,74. Mas na prática, a reportagem da FOLHA encontrou postos comercializando o produto até a R$ 2,47 o litro. Uma guerra de preços similar a que aconteceu em Londrina há poucas semanas.
Na BR-369, frentistas e gerentes de postos que conversaram com a reportagem explicaram que em certos dias, cerca de 85% dos clientes chegam a ser londrinenses. Eles comentaram que a concorrência acirrada na rodovia faz com que os estabelecimentos tenham que jogar o valor bem abaixo da média. Um dos postos, bandeirado por sinal, está vendendo a gasolina a R$ 2,48 o litro. ''Se subirmos R$ 0,10, já perdemos muitos clientes. Por isso, o preço tem que ficar lá embaixo'', disse o representante de um deles.
Apesar da guerra de mercado cambeense atrair consumidores de Londrina, os donos de postos salientaram que estão sendo prejudicados pelos preços baixos. O proprietário de um posto em Cambé acusa que a instalação de um posto vinculado a um supermercado fez com que ele fosse obrigado a diminuir sua margem de lucro a quase zero. Mesmo assim, a diferença entre os preços dos dois estabelecimentos ainda é de R$ 0,12. Vale lembrar que em Londrina, o Código de Posturas do município não permite que um posto se instale ao lado de um supermercado numa distância menor do que 300 metros. ''Temos muitos clientes londrineses abastecendo aqui, mas com este preço não está compensando. Estou com margem zerada para concorrer com este pessoal. Muitos donos de postos da cidade estão demitindo funcionários porque não estão conseguindo se manter'', explicou ele.
A briga está tão acirrada, que alguns proprietários estão mandando para a análise técnica a gasolina de seus concorrentes com o intuito de encontrar fraudes no combustível. Inclusive, um deles mostrou à reportagem um produto coletado que visualmente parecia adulterado, com algum outro produto que não se misturava à gasolina. ''Mesmo abaixando o preço e com consumidores vindo de outra cidade, meu fluxo caiu em torno de 20%'', decretou.
Para o consumidor, a disputa ferrenha acaba trazendo benefícios. A assistente de RH, Veronica Kasprovicz Venzi, é moradora de Londrina mas trabalha em Cambé. Ela ressaltou que só abastece em um posto na BR-369 e consegue fazer uma economia interessante. ''Se abasteço em Cambé a R$ 2,48, com R$ 50 consigo rodar por volta de uma semana e meia. Já quando abasteço em Londrina a R$ 2,89, rodo apenas uma semana'', complementou.
Etanol
Em relação ao etanol, a pesquisa da ANP revela que o preço de Londrina está mais competitivo que em outras cidades. Enquanto a média do litro fica em R$ 1,91 na cidade, em Arapongas (R$ 1,965), Apucarana (R$ 1,95) e Maringá (R$ 1,93) os valores são maiores. Apenas em Cambé a média fica inferior, com o álcool sendo comercializado a R$ 1,87 o litro em média.



