A guerra de preços da telefonia de longa distância que vem sendo travada pela Embratel e Intelig, nada mais é do que uma estratégia das duas operadoras para combater a pirataria telefônica. Desde o último dia 28, as duas operadoras simularam uma guerra de preços que derrubou as tarifas nas ligações internacionais para os Estados Unidos.
A tarifa cheia da Embratel de R$ 0,92 o minuto cobrada em ligações telefônicas para Estados Unidos e Canadá, caiu para R$ 0,07 o minuto. Na Intelig, a tarifa caiu para R$ 0,06 o minuto. A promoção tem data certa para acabar: será no dia 6 de agosto.
Nos últimos cinco dias de campanha, o volume de tráfego nas ligações para os Estados Unidos aumentou de forma significativa principalmente no período comercial, avaliou José Celso Terra Vaghetti, diretor de Vendas da Região Sul da Embratel. Segundo ele, o fato do tráfego nas ligações ter aumentado no período comercial significa que as duas operadoras estão capturando as ligações feitas por estabelecimentos que se utilizavam de empresas piratas.
‘‘Os consumidores estão comparando a diferença de qualidade e por isso o volume de tráfego aumentou muito’’, analisou. Vaghetti destacou que se esse acréscimo fosse provocado apenas pelo interesse dos consumidores em ligar mais vezes para outros países, para aproveitar o valor baixo das tarifas, a concentração das ligações ocorreria no período noturno, quando as pessoas chegam em casa. ‘‘E isso não ocorreu’’, afirmou.
Vaghetti avalia que a perda de receita das duas operadoras para a telefonia pirata é da ordem de R$ 300 milhões ao ano. As empresas clandestinas operam através dos sistemas ‘‘call back’’ e ‘‘by pass’’, onde a conexão é feita em outro país e desta forma, elas não pagam os impostos cobrados no País. ‘‘Mas cobram em dólar e com o câmbio valorizado, ficou bem mais barato para as empresas ligarem através das operadoras nacionais’’, concluiu. A Embratel acredita que existam cerca de 70 empresas piratas operando no País.
De acordo com o diretor da Embratel, as operadoras perderam totalmente a margem de lucro ao praticar essas tarifas. Mas esse custo tem como alvo o fim das empresas piratas, que devem ‘‘estar feridas mortalmente’’, acredita Vaghetti. Ele comparou a simulação na guerra de preços às promoções feitas em supermercados que derrubam o preço de um pé de alface a R$ 0,01 a unidade para atrair o cliente, que acaba comprando outros produtos. No caso da telefonia, a queda nos preços está servindo para mostrar ao cliente a qualidade no serviço das operadoras legalmente constituídas. ‘‘É o custo da nossa campanha’’, explicou.
Com o fim da campanha prevista para o dia 6, a Embratel avisa que não vai acabar a guerra que tem como alvo o fim da pirataria nas ligações internacionais. ‘‘Vamos divulgar mais novidades’’, destacou Vaguetti. Segundo ele, o objetivo no combate à pirataria é fidelizar o cliente para 2002, quando deverá vigorar a abertura de mercado para a telefonia local. A partir de 1º de janeiro de 2002, a Embratel vai entrar no mercado corportativo de telefonia local.

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