Guerra das barreiras está apenas começando, diz técnico
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sábado, 10 de fevereiro de 2001
Agência Estado 
A suspensão das importações de carne bovina pelo Canadá é a primeira grande demonstração de uma guerra que está apenas começando. Com a redução gradativa das tarifas de importação, acertada na Rodada Uruguai, vai crescer o controle por meio das chamadas barreiras não-tarifárias, como é o caso das sanitárias e fitossanitárias. Esta é a nova regra do comércio internacional. É o problema mais crítico, alerta o professor de comércio internacional de produtos agrícolas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Antonio Salazar Brandão. Este problema vai se agravar e o Brasil precisa se preparar para enfrentá-lo, tanto na qualidade de seus produtos, como na certificação, diz o coordenador de economia da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Vicente Nogueira.
Segundo Brandão, as barreiras sanitárias e fitossanitárias são muito preocupantes porque podem ser apenas uma possibilidade teórica utilizada como protecionismo ou retaliação. Mesmo que a acusação não se confirme cientificamente, provoca estragos para a imagem do produto e prejuízos aos produtores e ao país. Esta será a grande briga dos próximos anos. Temos de lutar pela redução dos subsídios agrícolas na União Européia, mas a guerra mais forte se dará na imposição de barreiras sanitárias, avisa. Ele lembra que a acusação da doença da vaca louca é um caso clássico de utilização de uma suposta contaminação como retaliação contra o que o Canadá classifica como subsídios à Embraer.
Apesar de a Argentina já ter utilizado barreiras sanitárias para conter o comércio de frango brasileiro em seu mercado interno, o embargo à carne bovina tem uma dimensão muito maior. A medida afetou um dos setores mais importantes da agropecuária brasileira.
Segundo dados da CNA, o faturamento bruto da pecuária bovina chegou a R$ 16,7 bilhões em 2000. O complexo soja veio em segundo lugar, com R$ 9,4 bilhões. Brandão lembra que o País terá de ficar mais atento aos sinais que vêm do exterior. No caso da carne tínhamos como nos antecipar. A imprensa internacional começou a noticiar casos de aftosa no Brasil há um mês. Falou-se que ovelhas do Paraná apresentavam sintomas parecidos com os da vaca louca. Os sinais já estavam por aí, afirma.
Transgênicos O professor adverte que a discussão e as notícias sobre a existência de lavouras transgênicas no Brasil mesmo não confirmadas também constituem uma ameaça. O País tem de fazer zoneamento e certificação. Não pode ficar em cima do muro. Ou fazemos isso ou a nossa soja corre o risco de ser embargada na Europa, diz.
Nogueira lembra que o cultivo de soja transgênica é ilegal. Mas se o País vier a permitir o seu cultivo, terá de fazer um sistema de rastreamento das lavouras, afirma. Segundo ele, a medida equivale à certificação de origem. No caso da carne bovina a ser exportada para os países da União Européia (UE), isso terá de ser feito até 2002. Exportar lácteos para os EUA e UE, nem pensar. As barreiras técnicas e sanitárias são tão fortes que estes mercados são praticamente inacessíveis, afirma Nogueira.


