Guardia é favorito para substituir Meirelles na Fazenda
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quarta-feira, 28 de março de 2018
Vera Rosa e Francisco Carlos de Assis<br>Agência Estado 

Brasília - O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, é o favorito para substituir Henrique Meirelles, que deixará o cargo na próxima semana. O assunto foi tratado na noite da terça-feira (27) em reunião entre o presidente Michel Temer e ministros, no Palácio do Planalto. Disposto a concorrer à Presidência, Meirelles vai se filiar ao MDB no dia 3 de abril, mas não terá a garantia da candidatura. Se Temer for concorrer a novo mandato, Meirelles poderá ser vice da chapa.
Na dança das cadeiras, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, deverá ser deslocado para a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), conforme informou o jornal O Estado de São Paulo. Para o lugar dele, o mais cotado é o atual secretário de Acompanhamento Fiscal, Mansueto Almeida. Temer vai continuar ouvindo presidentes dos partidos aliados, nos próximos dias, para fechar a reforma ministerial.
Um dos participantes da reunião disse à reportagem que, enquanto as candidaturas presidenciais não estão definidas, o governo manterá na equipe os partidos da atual aliança, mas não necessariamente no comando dos mesmos postos.
MEIRELLES
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira (28), no Recife, em almoço do Lide Pernambuco, que tem motivação muito grande para cuidar do País. De acordo com o ministro, ele atingiu na carreira o máximo que um executivo da iniciativa privada pode atingir quando chegou à presidência mundial do BankBoston. Por isso, explicou, quando deixou o cargo colocou na cabeça que deveria regressar ao Brasil e retribuir o que o País fez por ele.
"Me perguntaram outro dia o que um homem como eu, que morava em Manhattan, está fazendo andando com um chapéu na cabeça, no sol, pelo interior do Brasil. Eu disse que tenho motivação grande para cuidar do Brasil", disse Meirelles. Ele lembrou que quando deixou o BankBoston saiu como deputado por Goiás. "Nem foi por São Paulo, onde moro", disse.
Meirelles afirmou que o Brasil espera pelas reformas e que, se elas não ocorrerem, a economia voltará para a recessão. Perguntado sobre o que acha do imposto único, o ministro disse se tratar de uma boa ideia e que já está sendo discutida dentro da proposta de reforma tributária apresentada pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).
O ministro ponderou que a criação de um imposto único passa por uma série de discussões e alterações de outros impostos estaduais e federais que torna a questão mais política do que meramente técnica. A mesma explicação ele deu ao ser perguntado como via uma eventual privatização da Petrobras.
"Todos sabem que sempre fui favorável às privatizações, mas há que se discutir. Nada que é feito muito rápido é bom", disse Meirelles. Ele lembrou de uma venda de imóveis do governo que acabou ocorrendo a preços muito baixos. Para ele, uma eventual privatização de uma empresa como a Petrobras também é uma discussão mais política do que técnica.
O que está no foco agora, disse o ministro, é a privatização da Eletrobras. De acordo com o ministro, essa privatização vai trazer investimentos para o setor. "Queremos fazer da Eletrobras o que foi feito com a Telebrás", disse, lembrando que antes da privatização da Telebrás uma linha de telefone custava uma fortuna e que pouca gente tinha acesso. "As linhas eram caras porque não havia investimentos", lembrou.


