GTA será em papel-moeda para evitar fraudes
Brasília - As queixas de importadores de carne e os recorrentes escândalos envolvendo o comércio ilegal de bois levaram o governo federal a reciclar um mecanismo usado desde a década de 60 no controle do transporte de animais das fazendas para os abatedouros ou para outras propriedades rurais. A partir de 21 de agosto, caminhões só poderão transportar animais se os lotes estiverem acompanhados da nova Guia de Trânsito Animal (GTA), que será impressa em papel-moeda emitido pela Casa da Moeda.
A GTA que é usada atualmente é impressa em papel comum. ''O modelo que vigora hoje pode ser falsificado com facilidade'', admitiu Jorge Caetano Júnior, diretor da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. Mas ele garante que o controle será mais rigoroso com o novo modelo. Além de autorizar o comércio de animais, a GTA permite o controle das vacinações nas fazendas.
O documento repaginado terá código de barras, fundo de segurança anticópia, bordas com a inscrição texto ''Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento'' em microletras e tinta invisível reagente a luz ultravioleta com as Armas Nacionais. ''A diferença em relação ao documento atual é muito grande. Os elementos gráficos garantirão que o documento é verdadeiro'', afirmou Caetano Júnior.
Além da numeração única contida no código de barras, o documento passará a ter obrigatoriedade nacional, o que não ocorre agora. O diretor explicou que em 1995 o governo federal definiu um modelo único para o GTA, mas delegou aos Estados a decisão sobre a obrigatoriedade ou não do documento no comércio intra-estadual de animais. Alguns Estados optaram por deixar o mercado interno ''livre''.
A falta de controle no trânsito de animais e a facilidade de falsificação das guias motivaram duras críticas dos compradores de carne brasileira no exterior. A previsão é que os embarques de carne renderão US$ 10 bilhões ao País neste ano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. O Brasil não poderia deixar escapar esse faturamento por causa de dificuldades no controle sanitário, admitiu o diretor. ''Nossas auditorias internas apontavam para a necessidade de mudança'', disse Caetano Júnior.





