Grupos assumem obras da Encol
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quarta-feira, 14 de março de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
Os condôminos que foram vítimas do caso Encol, há quatro anos, descobriram que somente com união poderão morar nos imóveis que compraram na planta e cujas construções foram paralisadas após o calote da construtura. Em todo o Estado cresce o número de associações de mutuários que se organizam para tocar as obras sozinhas. Anteontem à noite, mais um grupo se reuniu para iniciar o processo. Entre os primeiros passos, estará contratar uma nova construtora para finalizar o que ficou abandonado por vários anos.
Quem se antecipou e se organizou na época em que o escândalo Encol estourou em todo o País, no final de 1997, tem esperança de poder morar nos apartamentos num prazo que varia de um ano e meio a três anos. A retomada da obra é um processo lento que exigiu paciência e muita briga na Justiça. Uma das partes mais difíceis foi convencer as pessoas que deveríamos lutar para assumir a construção parada. Havia muita gente desiludida, lembra o presidente da Associação dos Condôminos do Edifício Batel, Leopoldo Salviano Brito de Araújo.
Em todo o Estado foram 25 obras abandonadas.
Araújo calcula que 40% delas foram retomadas por moradores. A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi) estima que a retomada chega a quase 90%. Entre as construtoras que aceitaram assumir as obras estão a Grafite, Norconsil, Hauer e Dória. Essas obras são feitas num período mais longo, pois os condôminos vão fazendo o rateio das despesas aos poucos, afirmou o presidente da Ademi, Normando Antonio Baú. Ele disse que em alguns casos a demora é de até três anos a partir do momento em que se reinicia o trabalho. A maioria dos reinícios dos projetos paralisados ocorreu no ano passado. Em alguns casos, foi formado um consórcio entre os condôminos, administrado pela Ademilar.
O maior problema para as vítimas da Encol foi encarar os trâmites jurídicos até conseguir o direito de terminar uma obra que a construtora falida abandonou, após lesar centenas de clientes em todo o País. Os prejuízos se acumularam ao longo dos anos. Os donos dos imóveis pagarão no mínimo 10% a mais por terem retomado os projetos. Os que não quiserem lutar, perderam tudo.


