Os condôminos que foram vítimas do caso Encol, há quatro anos, descobriram que somente com união poderão morar nos imóveis que compraram na planta e cujas construções foram paralisadas após o calote da construtura. Em todo o Estado cresce o número de associações de mutuários que se organizam para tocar as obras sozinhas. Anteontem à noite, mais um grupo se reuniu para iniciar o processo. Entre os primeiros passos, estará contratar uma nova construtora para finalizar o que ficou abandonado por vários anos.
Quem se antecipou e se organizou na época em que o escândalo Encol estourou em todo o País, no final de 1997, tem esperança de poder morar nos apartamentos num prazo que varia de um ano e meio a três anos. A retomada da obra é um processo lento que exigiu paciência e muita briga na Justiça. ‘‘Uma das partes mais difíceis foi convencer as pessoas que deveríamos lutar para assumir a construção parada. Havia muita gente desiludida’’, lembra o presidente da Associação dos Condôminos do Edifício Batel, Leopoldo Salviano Brito de Araújo.
Em todo o Estado foram 25 obras abandonadas.
Araújo calcula que 40% delas foram retomadas por moradores. A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi) estima que a retomada chega a quase 90%. Entre as construtoras que aceitaram assumir as obras estão a Grafite, Norconsil, Hauer e Dória. ‘‘Essas obras são feitas num período mais longo, pois os condôminos vão fazendo o rateio das despesas aos poucos’’, afirmou o presidente da Ademi, Normando Antonio Baú. Ele disse que em alguns casos a demora é de até três anos a partir do momento em que se reinicia o trabalho. A maioria dos reinícios dos projetos paralisados ocorreu no ano passado. Em alguns casos, foi formado um consórcio entre os condôminos, administrado pela Ademilar.
O maior problema para as vítimas da Encol foi encarar os trâmites jurídicos até conseguir o direito de terminar uma obra que a construtora falida abandonou, após lesar centenas de clientes em todo o País. Os prejuízos se acumularam ao longo dos anos. Os donos dos imóveis pagarão no mínimo 10% a mais por terem retomado os projetos. Os que não quiserem lutar, perderam tudo.

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