O grupo português Sonae oficializou neste final de semana a compra dos supermercados da rede Coletão, com oito lojas entre Curitiba e São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Com isso a Sonae Distribuição Brasil passa a atuar no varejo com as marcas Big, Cândia, Extra Econômico, Nacional, Mercadorama, Real e Coletão, com 158 lojas distribuídas nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ao todo, o grupo passa a controlar um quadro de 23 mil funcionários.
‘‘A concretização do negócio reforça a prática de cartelização do grupo Sonae no ramo supermercadista’’, acusou ontem o deputado Celso Russomano (PSDB-SP). Segundo o deputado, o assunto continua sob investigação na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), no Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (CADE) e pela Comissão de Direitos do Consumidor da Câmara Federal. Russomano disse que a operação merece uma análise profunda do Ministério da Justiça para evitar o monopólio de mercado e disse que a Comissão agirá com mais rigor contra o grupo.
Em Curitiba, o grupo Sonae controla os supermercados Big, Mercadorama, Real e Coletão, que segundo o diretor da SDE, Rui Coutinho, atinge mais de 42% do mercado. Pela legislação, as operações entre empresas que detenham acima de 20% do mercado têm que ser monitoradas pelo Ministério da Justiça, através da SDE e Cade. O deputado Luciano Pizzato (PFL-PR) disse que na última sexta-feira, a Comissão de Direitos do Consumidor pediu ao grupo Sonae uma listagem informando quais as redes de supermercados já adquiridas pelo grupo ou em processo de aquisição, inclusive aquelas que envolvem sigilo. A Comissão espera resposta até agora.
Russomano não descartou a possibilidade de denunciar a operação se forem encontrados fatos que possam reverter a compra, como abusos junto a fornecedores e falta de alternativas de compra para o consumidor. Pizzato salientou que não é contrário à operação comercial, mas disse que a atuação do grupo Sonae no Brasil será utilizada como exemplo nefasto pela Comissão de Direitos do Consumidor, para evitar casos semelhantes em outras regiões do País. O diretor do grupo Coletão, Edmundo Coleto, não foi encontrado ontem pela reportagem.

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