Rio de Janeiro - O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) entrega na próxima semana ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, três propostas para a retomada do crescimento econômico.
A mais polêmica é a redução do superávit primário (resultado das receitas menos as despesas que é utilizado para pagamento de juros da dívida pública), estipulado em 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para este e os próximos dois anos, a fim de estimular investimentos públicos no setor de construção civil, em especial na habitação popular. A idéia é estimular a geração de empregos.
O índice de 4,25% de superávit primário supera os 3,75% acordados para este ano com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Somente a diferença entra a meta do acordo e a meta oficial representa uma diferença de R$ 6,6 bilhões em relação aos números do PIB de 2002 (R$ 1,321 trilhão).
As outras duas propostas são uma redução mais acelerada da taxa de juros básica (neste mês ela foi reduzida de 26% para 24,5% ao ano) e a estabilidade do câmbio para estimular as exportações.
A discussão de propostas para a retomada do crescimento foi pedida ao CDES por Palocci, em carta enviada ao ministro Tarso Genro, secretário do Conselho. Segundo Genro, as três medidas foram consensuais nas reuniões realizadas ontem, no Rio, e segunda-feira, em São Paulo.
Genro disse que Palocci apresentará uma contraproposta do governo no dia 14, que será novamente discutidas pelo Conselho. Só então, o CDES poderá apresentar uma lista de medidas conclusiva para a retomada do crescimento. ''Eu analiso que esse trabalho estará pronto num prazo de 45 dias'', disse.
O economista Fernando Cardim, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que a proposta de redução do superávit para que o governo possa investir na retomada do crescimento foi a que teve o maior número de defensores na reunião de hoje. ''Nesses momentos de colapso da demanda, é o setor público que tem que reagir'', afirmou.
A mesma proposta foi defendida pelo economista Rogério Sobreira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). ''Acho perfeitamente possível. (O governo) elevou o superávit de 3,75% para 4,25% sem receber nada em troca'', disse.
O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Canindé Pegado, defendeu a utilização de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para investimentos na construção civil, agricultura e indústria naval. Segundo ele, estão disponíveis no FAT R$ 5 bilhões para investimentos.

mockup