Grupo privado assume trecho da Ferroeste
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaNova direçãoO consórcio assume 248 quilômetros da Ferroeste pretendendo transportar 1,2 milhão de toneladas até o final do anoO trecho Guarapuava a Cascavel da Ferroeste passa a partir de hoje a ser explorado pelo grupo privado Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A.. As empresas que formam o consórcio assinaram ontem o contrato de subconcessão da ferrovia com o governador do Estado, Jaime Lerner. O consórcio poderá explorar o transporte de cargas pelos próximos 30 anos. O grupo anunciou que pretende transportar um volume de 1,2 milhão de toneladas até o final do ano, o que representa um crescimento de 380% em relação ao que foi transportado desde abril do ano passado.
A Estrada de Ferro Paraná Oeste, que é formada pelas empresas Gemond-Geral de Engenharia e Montagens, Pound S.A e FAO-Empreendimentos e Participações, explorará 248 quilômetros de ferrovia. O grupo arrendou a ferrovia por R$ 26,5 milhões, valor que será pago ao longo dos 30 anos, após três anos de carência.
O diretor do Banco Interfinance, Anibal Batista Falcão, representante do consórcio vencedor, disse que a compra de locomotivas e vagões para operar a ferrovia é um dos primeiros passos a ser dado. Por enquanto, a Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. irá atuar junto com a Ferrovia Atlântico Sul, que desde anteontem detém a concessão de toda a malha ferroviária do Sul do País. A Atlântico Sul cederá as locomotivas, assim como previa o antigo contrato entre a Ferroeste e a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), afirmou Falcão.
Hoje, entre 10 e 20 locomotivas rodam pelos trilhos da Ferroeste, transportando a produção graneleira do Estado. O grupo concessionário quer diversificar o transporte de cargas nos próximos meses. Temos intenção de transportar até cimento, disse o diretor do Banco Interfinance. O grupo começa um trabalho para medir a demanda de possíveis clientes que queiram usar a ferrovia.
A empresa Estrada de Ferro Paraná Oeste fará novos investimentos na Ferroeste para poder operar o transporte. Serão R$ 146,4 milhões que poderão ser colocados na ferrovia. A empresa irá construir um terminal para locomotivas no município de Cascavel. O Banco Interfinance prevê um gasto de até R$ 2 milhões para fazer a obra. O investimento na Ferroeste não amortiza a dívida do consórcio.
O governo do Estado, através da Ferroeste, e o Ministério dos Transportes passam apenas a fiscalizar o trabalho do sub-concessionário. O diretor presidente da Ferroeste, Osíris Stenghel Guimarães, reafirmou que a Ferroeste continua sendo dona da ferrovia. Mantemos o controle patrimonial, esclareceu. O governo investiu R$ 363 milhões para construir a estrada de ferro.


