Grupo paranaense quer indenização da Coca-Cola
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segunda-feira, 23 de abril de 2001
Vânia MoreiraDe Umuarama 
A Fábrica de Bebidas Ligiane, de Umuarama, ameaça mover uma ação de indenização contra a Coca-Cola por causa da extinção da marca Crush. A multinacional comprou a Crush e cancelou o contrato de todas as empresas que tinham franquia para fabricar e comercializar a marca no Brasil.
Segundo o dono da Ligiane, Pedro Arildo Ruiz, a Coca-Cola se recusa a ressarcir a fábrica dos prejuízos. Diretores da Atlantic, subsidiária da Coca-Cola no Brasil com sede no Rio de Janeiro, teriam concordado em pagar apenas a matéria-prima e embalagens que a Ligiane tem em estoque, sem cobrir outras perdas da empresa.
Ruiz diz que a Ligiane fabricou e distribuiu durante 11 anos o refrigerante de laranja Crush e o de limão Gini. Investimos muito na produção e divulgação das marcas. Além disso, ficamos proibidos de criar marcas próprias ou engarrafar outras do mesmo sabor, disse. Segundo Ruiz , a franquia representava cerca de 35% do faturamento da fábrica.
Perdemos faturamento e teremos que investir para criar e divulgar marcas próprias, mas a Coca-Cola não quer nos indenizar. Teremos que mover uma ação contra a empresa nos Estados Unidos, afirmou o empresário.
As marcas Crush e Gini pertenciam a empresa inglesa Cadbury Schweppes e foram compradas pela Coca-Cola em junho de 99. Segundo o empresário de Umuarama, a multinacional renovou temporariamente as franquias no Brasil. No final do ano passado, cancelou todos os contratos sem dar satisfações aos fabricantes e consumidores. Ruiz disse que o contrato de venda das marcas previa indenização aos fabricantes caso fossem retiradas do mercado, mas a Coca-Cola, segundo ele, estaria ignorando o acordo. Com base nisso, o grupo pretende brigar por direitos na Justiça.
O diretor de estratégia financeira da Atlantic, Amauri de Azevedo, confirmou ontem a retirada da Crush e do Gini do mercado brasileiro, mas não quis dar detalhes sobre as negociações com os ex-fabricantes. Isto é um assunto interno, alegou Azevedo. O diretor negou que a empresa tenha encerrado as negociações com a Ligiane. Ainda vamos conversar com os empresários e tentar um acordo, informou.


