Ex-diretores do Bamerindus acreditam que o contrato de venda evidencia que o HSBC não pagou nada para ter o banco. O documento mostra que o HSBC pagou R$ 381,6 milhões para ficar com o fundo de comércio do Bamerindus e outros ativos relacionados ao negócio, incluindo a área de cartões de crédito, de arrendamento mercantil e de seguros. Em compensação, o Bamerindus teve de pagar R$ 431,8 milhões ao HSBC como transferência de fundos e ativos aceitáveis. O restante do dinheiro foi injetado pelo Banco Central através do Proer.
O dinheiro que o Bamerindus ficou devendo ao HSBC teve de ser pago em três parcelas (a última venceu em junho). O que o HSBC pagou ao Bamerindus ficará guardado no próprio HSBC por sete anos, conforme prevê a cláusula 22 do contrato. Este item determina que o Bamerindus deposite os R$ 381,6 milhões como garantia pelas obrigações do banco.
O grupo inglês fez ainda um aporte de capital de US$ 1 bilhão na instituição. Mas o dinheiro entrou no País não como pagamento da dívida, mas como investimento da empresa para capitalizar e fortalecer o banco. O Banco Central injetou R$ 5,86 bilhões do Proer.
O Bamerindus (com intervenção do BC) responde ainda por todas as penalidades contratuais e multas relacionadas a contratos assumidos. O HSBC envolveu também a Midland Bank Serviços Ltda - empresa do grupo. A Midland é responsável por toda a prestação de serviços às instituições financeiras. Mas apesar de constar no contrato, nenhum diretor da empresa assina o documento.
Outro ponto considerado polêmico é o que trata das ações trabalhistas. Apesar de ter sido vendido, o Bamerindus é que deve responder pelas ações ajuizadas por funcionários do banco até a data da intervenção. A Justiça Trabalhista entende que uma empresa ao comprar outra deve assumir também o ônus de possíveis ações dos empregados.(C.M.)

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