Grupo Inepar não fala sobre mudança
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de março de 2001
Carmem MuraraDe Curitiba 
A Inepar preferiu ontem adotar o silêncio diante da informação divulgada pela jornalista econômica Miriam Leitão, em sua coluna diária publicada em vários jornais nacionais, de que a empresa paranaense estaria prestes a mudar de dono. Segundo a empresa, a Inepar passa por um processo de reestruturação que não pode ser confundido com mudança de controle acionário. A notícia dá conta de que a Inepar pediu R$ 200 milhões de injeção de capital aos fundos e ao BNDES.
A entrada de capital provocaria uma diluição no controle acionário, hoje nas mãos de empresários paranaenses capitaneados por Atilano de Oms, Jauneval de Oms e Mário Celso Petraglia. Eles detêm 61% do capital votante e 21% do capital total. A Previ tem 20%, a Centros tem 10%, a Aeros tem 5% e a Petros tem 4%. O BNDESPar tem 6% do capital total.
Conforme o artigo, há hoje uma crise instalada entre os sócios do grupo Inepar. Os fundos e o BNDES estariam em dissonância com o restante dos sócios, reclamando principalmente da falta de comunicação e transparência. O que mais preocupa é a dívida do grupo calculada em R$ 446 milhões. Porém, a carteira de pedidos para receber recursos foi de R$ 1 bilhão. O dinheiro serviria para atender às encomendas, diz a jornalista.
Os fundos e BNDES querem analisar se a carteira de pedidos é sólida. Eles estariam impondo como condição para liberar o dinheiro, obter mais poder junto ao grupo. Entre as exigências estaria a mudança de controle acionário. Eles estariam pressionando também para que a Inepar vendesse ativos e mudasse o foco dos negócios. A lista de pedidos incluiria ainda a venda das distribuidoras de energia Cemat (Mato Grosso) e Celpa (Pará).
A Inepar atua hoje em vários setores. A empresa tem negócios no segmento de energia, onde faz montagem de linhas de transmissão, administra distribuidoras e participa da construção de termelétricas. Há ainda a área de telecomunicações e a construção pesada. O grupo foi obrigado a recuar em alguns investimentos recentes como o Iridium que faliu e a Telemar, quando vendeu sua parte para o Opportunity.
Há cerca de um ano, a Inepar anunciou mudanças em sua estrutura. As alterações passaram por enxugamento em vários setores, corte de funcionários e nova diretoria.


