Grupo Greenpeace pressiona contra os ##doze mais sujos##
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Tathiana Barbar Agência Estado 
O grupo ambientalista internacional Greenpeace lançou ontem, com a presença de representantes de comunidades contaminadas por Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), a campanha Chega de Poluição. A campanha quer pressionar o governo brasileiro a apoiar o tratado internacional que está sendo discutido em Johannesburgo, na África do Sul. O acordo pretende eliminar a produção, o comércio e o uso de substâncias químicas tóxicas, além de prevenir a introdução de novos produtos agroquímicos no mercado e no meio ambiente.
Os governos devem aproveitar esta oportunidade histórica e eliminar todas as fontes de contaminação química, disse Roberto Kishinami, diretor executivo do Greenpeace Brasil.
Uma convenção internacional com vínculo legal para a eliminação de algumas das substâncias químicas mais perigosas existentes, os POPs, está sendo negociada por 120 países na 5ª Sessão do Comitê Intergovernamental de Negociações (INC5), em Johannesburgo, na África do Sul. A versão final do documento, o Tratado Internacional sobre POPs, deverá ser assinada em Estocolmo, na Suécia, entre maio e junho de 2001.
A coordenação do acordo está sendo feita pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) que deve incluir o banimento de 12 POPs, conhecidos como os doze sujos: oito pesticidas organoclorados - aldrin, endrin, toxafeno, clordano, dieldrin, heptacloro, mirex (dodecacloro), DDT - e substâncias químicas industriais geradas como subprodutos não-intencionais: hexaclorobenzeno, PCBs, dioxinas e furanos.
A exposição aos POPs está relacionada à vários problemas de saúde e desenvolvimento, tanto do meio ambiente quanto de seres humanos, como o câncer e disfunções dos sistemas neurológico e hormonal. Uma outra preocupação é o efeito tóxico dos POPs em crianças e fetos.
Os POPs têm uma gama de efeitos na saúde que vão desde aumento da incidência e prevalência de diabete, alterações no metabolismo das gorduras (colesterol e triglicérides), alterações no sistema imunológico (o que aumenta o risco de infecções e aparecimento de doenças imunológicas), alterações do sistema reprodutor tanto masculino como feminino (infertilidade masculina, dificuldade de engravidar e mantê-la até o final), até o aparecimento de diversos tipos de câncer, afirmou a médica endocrinologista, Joya Emilie Correia, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).
Joya destacou que o banimento dos POPs é necessário e primordial para a proteção da saúde das gerações futuras. Estas substâncias se acumulam no organismo e seus efeitos só vão ser vistos depois de 10 a 15 anos da contaminação, disse a médica.
Na lista estão as dioxinas, um dos poluentes químicos mais tóxicos e cancerígenas. As dioxinas são liberadas com a incineração de lixo e com o uso de cloro em processos industriais, como o branqueamento de papel e a produção de plástico PVC.
Manteiga A análise da manteiga comercializada em 24 países revelou altos níveis de contaminação por dioxina em países industrializados, como Espanha, Holanda e Itália. Níveis significativos de dioxinas também foram encontrados na manteiga de países com crescimento industrial mais recente, como Índia, México, China, Argentina e Brasil.
Estes resultados mostram que as dioxinas estão acompanhando o movimento das indústrias poluentes em direção aos países em desenvolvimento, contaminando seu meio ambiente, afirmou Cristina Bonfiglioli, também integrante do Greenpeace Brasil. Está claro que a disseminação das fontes de dioxinas deve ser imediatamente interrompida e as fontes existentes devem ser eliminadas de forma global, completou ela.


