A empresa Électricité de France (EDF) desistiu ontem de participar do leilão de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A notícia foi veiculada no jornal francês 'Les Echos' e ganhou destaque nas agências internacionais de notícia que deram a informação como certa. A EDF alegou ''grandes incertezas que rondam o mercado elétrico brasileiro'' para se afastar do processo de venda. O grupo francês era tido como um dos mais fortes na tentativa de comprar a estatal paranaense.
O comunicado oficial sobre a saída da EDF seria feito somente hoje, segundo informou ontem a assessoria de imprensa da Light, empresa comprada pela EDF em 1996. Oficialmente, os responsáveis pela privatização da Copel não foram informados da desistência da EDF.
A empresa francesa havia feito uma visita de um dia ao ''data-room'' da Copel, local onde estão concentradas as informações estratégicas da companhia. Segundo o governo do Estado, os representantes da EDF tinham marcado para o próximo dia 15 de setembro a visita de cinco dias úteis. A empresa não chegou a conhecer a estrutura física da Copel.
Com a desistência, passam a ser oito as empresas que mantêm interesse na compra da Copel, cujo leilão está previsto para o dia 31 de outubro, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. São os grupos Endesa (Espanha), Tractbel (Bélgica), AES, NRG e Duke Energie (Estados Unidos), Hydro Quebec (Canadá), RWE (Alemanha) e Enell Power (Itália).
Antes da EDF, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) havia desistido da privatização. Mas as razões foram outras. Por ser estatal, a Cemig não poderia participar de um leilão de privatização, sendo obrigada a se unir em um consórcio como empresa minoritária.
A notícia da saída da EDF surge cinco dias após a divulgação do preço mínimo para a privatização da Copel. Analistas avaliaram que, por passar por um processo de reestruturação, a EDF não teria fôlego para comprar a Copel. O governo venderá sua participação acionária pelo valor mínimo de R$ 4,324 bilhões que pode chegar a R$ 5,152 bilhões, dependendo da oferta pública que o Estado faz para comprar 15% das ações ordinárias dos acionistas minoritários. Portanto, no dia da privatização, serão leiloados entre 85% e 100% das ações ordinárias da Copel, dependendo da adesão dos minoritários, ou 45,06% das ações que pertencem ao governo do Estado e ao BNDESPar.

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