Grupo estuda alterações no edital de concessão do aeroporto em Londrina
Sugestões poderão ser feitas até 1º de abril; leilão deve acontecer neste ano e valor do contrato é de R$ 8,9 bilhões, sendo R$ 300 milhões de investimentos no terminal da cidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Sugestões poderão ser feitas até 1º de abril; leilão deve acontecer neste ano e valor do contrato é de R$ 8,9 bilhões, sendo R$ 300 milhões de investimentos no terminal da cidade
Simoni Saris - Grupo Folha 
O Grupo de Trabalho do Aeroporto, formado por lideranças políticas e empresariais de Londrina, reuniu-se na semana passada com o diretor de Departamento de Políticas Regulatórias da SAC (Secretaria de Aviação Civil), Ricardo Fonseca, para discutir o processo de privatização do Aeroporto Governador José Richa. O terminal de Londrina faz parte do Bloco Sul e a expectativa é de que o leilão aconteça ainda neste ano, com a assinatura do contrato até dezembro. O grupo avalia possíveis alterações no edital de concessão.

Além do Aeroporto Governador José Richa, do Bloco Sul fazem parte também outros oito aeroportos no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No Paraná estão incluídos o Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Bacacheri, em Curitiba, e Foz do Iguaçu. Os terminais catarinenses são Navegantes e Joinville e, no Rio Grande do Sul, Pelotas, Bagé e Uruguaiana. O valor estimado do contrato de concessão deste bloco é de R$ 8,9 bilhões, com lance mínimo de R$ 516 milhões. O prazo de validade dos contratos é de 30 anos.
O ex-deputado federal Alex Canziani é um dos integrantes do grupo de trabalho que foi a Brasília e está animado com as perspectivas. “Eles (SAC) têm a expectativa de que esse vai ser o bloco que mais vai ter interessados. Estão sendo procurados por grandes operadores mundiais, que operam os maiores aeroportos do mundo, para poder participar desse leilão.”
Canziani disse que o grupo deverá analisar os dados já apresentados e definir se serão sugeridas alterações no edital. No dia 28 de fevereiro, eles voltam a se reunir para discutir a questão. “A ideia é que quando as empresas forem visitar as cidades, a gente faça um trabalho para receber as pessoas e mostrar os pontos que pode ser que elas não estejam avaliando. Vamos fazer essa reunião na semana que vem para poder definir os próximos passos”, adiantou.
Ele destacou os mais de R$ 300 milhões que deverão ser investidos no aeroporto em Londrina. “Esses R$ 300 milhões que eles vão colocar, não vão reaver nesses 30 anos. Vão fazer isso porque essa é uma condição do edital e, mais do que isso, têm interesse em todos os aeroportos. Curitiba e Foz são altamente lucrativos. Por isso é importante que a gente permaneça no bloco, porque vamos acabar sendo beneficiados com um grande investimento.”
Também integrante do grupo, o assessor de Assuntos Estratégicos do município e diretor de Projetos do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Luiz Figueira de Mello, tem um entendimento diferente sobre a questão. Ele considera R$ 300 milhões um valor baixo para os investimentos necessários no terminal. “Todo o cálculo feito nos estudos é bastante conservador, longe do potencial do aeroporto que pretendemos”, disse.
O projeto das obras, segundo ele, foi elaborado em 2010 pela Infraero e seria “bastante conservador”. “Já tem uma melhoria substancial na operação aeroportuária, mas está bem distante do que desejamos”, avaliou Figueira. As mudanças, afirmou o assessor, poderiam viabilizar a elevação de categoria do terminal, transformando o aeroporto em um grande centro logístico e o habilitando a receber grandes cargueiros e uma companhia aérea internacional, a exemplo do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). “Em um raio de 200 quilômetros, temos uma população de 5,8 milhões de pessoas. É importante que possamos potencializar os nossos ativos, nossa diversidade econômica.”
Figueira também defende a retirada do aeroporto de Londrina do Bloco Sul. “Pelotas, Bagé, Uruguaiana e Bacacheri são aeroportos minúsculos, que iriam diluir os investimentos. Seria mais interessante para nós sair desse bloco.”
SECRETARIA
Procurada pela reportagem, a SAC informou que as contribuições dos municípios são levadas em conta e podem promover alterações nos projetos. O processo de audiência pública já está aberto e as reuniões referentes ao Bloco Sul acontecerão em março, em Goiânia (GO), Manaus (AM), Curitiba e Brasília, nessa ordem, e serão presenciais. Os documentos da Consulta Pública nº 3/2020 estarão disponíveis no Portal da Anac (www.anac.gov.br) assim que a consulta estiver publicada no Diário Oficial da União. As contribuições poderão ser encaminhadas até o dia 1º de abril, por meio de formulário disponibilizado no mesmo endereço eletrônico.


