Por décadas, a Zeppelin ficou sem produzir um dirigível. Mas, enquanto o mito do aparelho continuava a crescer, a empresa no sudeste da Alemanha montou um verdadeiro império, movimentando a economia de toda uma região. Hoje, o grupo controla 25 empresas em vários setores, empregando mais de 70 mil pessoas em todo o mundo. Na área de Friedrichshafen, a taxa de desemprego é uma das menores de toda a Europa: 2,5%.
Na realidade, os dirigíveis são apenas a ponta do iceberg de uma multinacional que conta até mesmo com uma universidade para formar seus engenheiros. Projetos sociais para pessoas carentes e até bibliotecas fazem parte dos programas patrocinados pelo grupo empresarial.
O principal gerador de riquezas da companhia é a empresa ZF, que fabrica chassis e autopeças para os quatro cantos do mundo, operando 119 fábricas em 25 países. Em 2006, a renda da ZF chegou a 12,6 bilhões de euros e a empresa se tornou a 15 maior fornecedora de peças do mundo. Apenas a ZF gera mais de 50 mil postos de trabalho.
Já a empresa ZLT Zeppelin Luftschifftechnik GmbH, que fabrica os dirigíveis, emprega apenas 80 pessoas. Em 1900, o conde Ferdinand von Zeppelin voou pela primeira vez com seu dirigível na cidade, à beira do Lago Constança. O nobre apostou tanto em seu projeto que quase foi à falência diante dos incidentes dos primeiros anos e desastres.
A partir de doações, o conde abriu uma fundação para a pesquisa aérea. Finalmente, em 1908, o projeto ganhou força, quando Zeppelin conseguiu cruzar os Alpes em um vôo de mais de 12 horas. Nos 20 anos seguintes, 120 dirigíveis seriam construídos e rotas ligando a Europa a várias regiões e até outros continentes foram estabelecidas. Uma delas chegou até o Rio de Janeiro. O conde ainda criou o que seria a primeira companhia aérea, a Delag. Em 1928, a rota entre Frankfurt e Nova Iorque encurtava a viagem entre os dois continentes. Eram ''apenas'' 112 horas.
Orgulho da engenharia alemã com 240 metros de comprimento, o Hindenbrug foi considerado como o modelo mais espetacular fabricado pela Deutsche Zeppelin-Reederei. ''Ele tinha até um piano de alumínio, para não pesar, e ducha para os passageiros'', explicou o piloto Hans-Paul Strohle.
Hoje, a Zeppelin gera apenas para a cidade uma renda de quase US$ 80 milhões por ano. Segundo as autoridades municipais, a decisão da Zeppelin de voltar à produzir os dirigíveis tem motivos que vão além da retomada do projeto aéreo. Uma pressão cada vez maior estava sendo feita por parte das autoridades federais para que o grupo deixasse de ser controlado e de pagar dividendos à prefeitura, já que o objetivo inicial da Fundação - o desenvolvimento de dirigíveis - estava abandonado há décadas.
Nos anos 90, um grupo de técnicos estudou o projeto e decidiu que a fabricação era possível. Mas aplicaram a tecnologia mais avançada. Ao ser inaugurado o primeiro vôo em 2001, 4 mil pessoas colocaram seus nomes para poder voar no dirigível. Desde então, 80 mil turistas fizeram a viagem, cada um pagando cerca de 300 euros por apenas uma hora no ar. (J.C.)

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