Curitiba – Os desdobramentos da Operação Carne Fraca tiveram mais um capítulo nesta quarta-feira (3), com a publicação no Diário Oficial da União da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a liberação parcial para comercialização de produtos do frigorífico Transmeat Logística Transportes e Serviços Ltda. e a marca Novilho Nobre, que tiveram as atividades interditadas em março para análise fiscal. O grupo é de Balsa Nova (Região Metropolitana de Curitiba).

Na resolução 1.166, a Anvisa suspendeu a interdição cautelar de produtos fabricados pelo estabelecimento Transmeat, liberando parcialmente a comercialização. A exceção ficou para a linha de carnes temperadas que continuam interditadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em função dos quatro lotes de hambúrgueres apreendidos em março serem considerados insatisfatórios, conforme parâmetros estabelecidos pela Resolução RDC 12/2001.

Procurado pela Folha, o diretor de marketing da Novilho Nobre, Edinandes Alexandre Santos, alertou para o erro de interpretação sobre o teor da decisão da Anvisa e a consequente divulgação da "proibição de venda de hambúrguer da Transmeat e Novilho Nobre". "Antes do Mapa determinar o recall, recolhemos os produtos dos lotes indicados pela Anvisa que estão proibidos por conta do rótulo, que aguarda aprovação do Mapa. Nada tem a ver com contaminação ou problema na empresa. Aliás, o que a Anvisa divulgou em Diário Oficial foi a liberação da produção e comercialização dos nossos produtos, justamente por não representarem qualquer risco aos nossos consumidores", explicou.

Tamanha confusão levou o frigorífico Transmeat a divulgar uma nota de esclarecimento nesta quarta sobre as resoluções 1.166 e 1.167 da Anvisa que foram publicadas no Diário Oficial. No texto, também foi informado que a linha de temperados da Transmeat , em que a venda é apenas institucional, segue interditada devido à "burocracia do Ministério da Agricultura, pois o Mapa do Paraná não sabe se tem autonomia para aprovação do rótulo necessário para comercialização desses produtos, ou se esta autorização deve ser dada pelo Mapa de Brasília, enquanto isso ficamos com uma linha de produção parada".

Confusão
De acordo com Santos, a confusão no rótulo tem origem no fato do material ter sido liberado pelo agente sanitário Renato Menon, investigado na Operação Carne Fraca. "Foi ele quem efetuou a fiscalização, por ser a atividade dele, pois ninguém da nossa empresa participou de fraude, tanto é verdade que ninguém virou réu, nenhum diretor nosso foi chamado a depor", afirmou.

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