Curitiba - O grupo paranaense Hubner anunciou investimentos de R$ 31 milhões na implantação da primeira siderúrgica de ferro gusa do sul do País. A siderúrgica vai funcionar em Ponta Grossa, onde o grupo tem mais duas fundições. A prefeitura está doando o terreno de 1,1 milhão de metros quadrados e a terraplanagem. A empresa pretende reivindicar junto ao governo estadual o enquadramento no programa Bom Emprego, que prevê a dilação do recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para quatro anos.
A vantagem da siderúrgica de Ponta Grossa é que ela poderá entregar o ferro no estado líquido para as fundições do grupo, o que vai dar um ganho expressivo só com a economia no consumo de energia elétrica, que hoje representa entre 10% e 11% do custo de uma fundição. O empreendimento deverá gerar 250 empregos diretos e 1 mil empregos indiretos.
O grupo Hubner mantém uma fábrica em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, onde atua no mercado de reposição de peças para a linha automotiva pesada como caminhões, ônibus, tratores e colheitadeiras. ''A expansão desse mercado nos últimos dois anos está impulsionando o setor de fundição pesada de todo o País que está trabalhando com 20% a 30% além da capacidade'', disse Nelson Hubner, diretor do grupo.
O empresário disse que o setor de fundição está entrando numa fase de crescimento sustentável, com vendas em alta tanto no mercado externo como interno. ''Foi com base nesse cenário que o grupo paranaense vem planejando o investimento nos últimos oito meses'', contou. De acordo com Hubner, somente as duas fundições do grupo vão consumir 35% da produção da siderúrgica que será de 8 mil toneladas mensais. O restante será vendido para outras fundições da região sul. ''Não estamos com problemas de mercado. Somente uma fundição do Paraná quer comprar todo o restante da produção da siderúgica'', salientou.
Hubner vislumbra um futuro promissor para o setor de fundição pesada no País porque ''há tudo por construir''. Para ele, o reaquecimento da economia já é uma realidade e tudo passa por investimentos em infra-estrutura pesada que é o setor atendido pelas fundições. Ele lembrou até 2002 o setor passou por reestrutuação com enxugamento de pessoal e corte de investimentos, situação comum a praticamente todos os setores da economia, destacou.
Em Ponta Grossa, a siderúrgica vai consumir o minério de ferro e carvão mineral como matéria-prima. O empresário não se assusta com os custos elevados da importação de minério de ferro de Minas Gerais porque segundo ele, 65% da planilha de custos do ferro gusa é oriundo do carvão vegetal. A Hubner pretende utilizar os subprodutos do setor de reflorestamento no Estado para fabricação do carvão vegetal.''Com isso, os custos da siderúrgica no Paraná serão tão competitivos quanto de Minas Gerais'', comparou.

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