Grupo do Canadá compra cervejaria Kaiser
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domingo, 03 de março de 2002
Agência Estado 
São Paulo Os controladores da Kaiser Coca-Cola, Heineken e os grandes engarrafadores do refrigerante mais vendido do País acertaram, na quinta-feira passada à noite, a venda da empresa para a canadense Molson. Conforme antecipou o jornal Estado de S. Paulo, no sábado, na coluna Direto da Fonte de Sonia Racy, o preço proposto foi de US$ 1 bilhão. De acordo com um dos controladores, esse valor foi uma demonstração do interesse do grupo em levar a cerveja à liderança de mercado. Convenceu os controladores que receberam outras proposta pela empresa. Falta, porém, acertar detalhes quanto à distribuição, negociação que teve ocorrer esta semana.
A Molson, ao adquirir a Bavaria, da AmBev, acertou que esta última ficaria responsável por sua distribuição por cinco anos. Portanto, faltam três anos. Na outra ponta, os canadenses querem assegurar que os distribuidores e engarrafadores da Coca-Cola continuem a entregar o produto. Não é mero detalhe, pois a distribuição explica o próprio surgimento da Kaiser, em 1982.
De acordo com um dos controladores da Kaiser, a empresa foi o mecanismo que o distribuidor mineiro da Coca-Cola Luiz Otávio Possa Gonçalves encontrou para enfrentar, na época, a chamada venda casada que, alegou o distribuidor, faziam as concorrentes Brahma e Antarctica, com o seu mix de cerveja e refrigerantes. Ou seja, quem levava um produto, levava o outro.
Ao dar início à produção, em Divinopólis (MG), da Kaiser imperador em alemão , Gonçalves inaugurou, em 22 de abril de 1982, a mais moderna cervejaria do País. Daí para atrair outros engarrafadores do sistema Coca-Cola foi um pulo: a própria multinacional quebrou um tabu de não produzir bebidas alcóolica e entrou no investimento com 10% do capital, atraindo também a Heineken.
PielsenHoje, a Kaiser conta com oito fábricas e importante fatia de mercado, além de exibir no currículo um feito histórico. Com 20 anos de mercado, a Kaiser pilsen, nos últimos seis meses até janeiro, se mantém à frente da concorrente Antarctica pilsen, lançada em 1885. A diferença chegou a 2,5 pontos porcentuais em janeiro: 13,4% frente a 10,9%, de acordo com os últimos dados auditados pelo Instituto AC. Nielsen. A margem de erro nesse tipo de pesquisa é 0,5 ponto para cima ou para baixo e é preciso seis meses caracterizar uma tendência.
De acordo com importante executivo desse mercado, cada ponto porcentual no setor de cerveja equivale a R$ 80 milhões. Na pesquisa que mede o valor de mercado, e não o volume onde entram promoções e redução de margem para conquistar os consumidores, a liderança em janeiro, também de acordo com dados Nielsen, é da marca Skol (35,1%), seguida de Brahma (23,1%), Antarctica (15,6%), Kaiser (13,4%), Schincariol (6,8%) e Molson Bavária (2,2%).
Isso quer dizer que a nova empresa surge com uma fatia de mercado superior a 20% em volume e 15,6% em valor. Para um dos controladores, o importante é que a Molson tem condições de manter a política agressiva da Kaiser de conquistar mercado. O que só faz sentido com distribuição conjunta com refrigerantes e outros produtos de forma a não comprometer margens.


