Grupo Disapel entra em concordata
A Disapel Eletrodomésticos S.A. - segunda maior empresa do ramo no Sul do País e que se tornou conhecida pelo mote publicitário de a mais simpática - entrou ontem em concordata. O pedido foi aceito pela 4ª Vara de Concordatas, um dia após o ajuizamento da ação pelos advogados da empresa. A Dispapel acumulou uma dívida de R$ 115,27 milhões e a diretoria considerou este valor impagável, devido à taxa de juros. Concordatária, a rede de lojas fica com a dívida com correção monetária congelada, podendo pagar o débito em dois anos.
A concordata da empresa vinha sendo cogitada pela diretoria há quase um ano, quando a dívida era R$ 50 milhões mais alta em relação a hoje. Mas o processo foi sendo prorrogado até que a mudança na política cambial anunciada na quarta-feira pelo Banco Central fez com que os advogados da Disapel tomassem a decisão. A desvalorização do Real foi um fator preponderante. Não dava mais para esperar, afirmou, ontem, o diretor de Operações da Disapel, Francisco Carlos Padilha.
No processo de concordata, a empresa alegou ter se endividado além da capacidade de pagamento devido à elevação da taxa de juros, que como consequência direta provocou um crescimento na inadimplência da clientela. Outro fator apontado foi o fornecimento de mercadorias por um grupo restrito de fornecedores que passou a dar menos descontos, menos prazo e diminuiu o crédito para a Disapel, quando perceberam que a empresa passava por dificuldades.
O resultado imediato desta situação foi uma queda acentuada nas vendas, que, segundo a empresa, provocou um encolhimento de R$ 112 milhões no faturamento anual. Em 1997, a Disapel faturou R$ 467,2 milhões contra R$ 354,8 milhões no ano passado. Com menos vendas, a empresa demitiu 901 funcionários e estuda o fechamento das lojas deficitárias. Hoje, são 116 lojas espalhadas nos três Estados do Sul e em São Paulo.
Entre os maiores credores estão os seguintes fornecedores: Multibrás (R$ 13,6 milhões), Sharp (R$ 9,3 milhões), Electrolux do Brasil (R$ 8,9 milhões), Sundown (R$ 5,7 milhões), Phillips da Amazônia (R$ 4,7 milhões), Semp Toshiba (R$ 3,9 milhões), Arno (R$ 3,3 milhões), BS Continental (R$ 3,8 milhões), Cellstak Celular (R$ 3,5 milhões), Sansung (R$ 3,4 milhões), GE Dako (R$ 2,6 milhões), Gradiente (R$ 2,3 milhões).
O diretor de Operações da Disapel garantiu que a empresa conseguirá quitar todos os débitos dentro do prazo legal estabelecido. Ele ressaltou ainda que a empresa chegou à situação concordatária sem acumular dívidas trabalhistas e sem deixar de recolher impostos. No ano passado, a Disapel recolheu R$ 41,1 milhões em tributos.Albari RosaGota dáguaO diretor de operações da empresa, Francisco Carlos Padilha: A desvalorização do real foi um fator preponderanteCarmem Murara





