Grupo de empresas brasileiras cresce em ritmo chinês
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de maio de 2007
Patrícia Cançado<br> Agência Estado 
São Paulo - A nova safra de balanços das companhias de capital aberto é mais um retrato do Brasil que avança como a China e a Índia. As empresas que têm ações na Bolsa de Valores continuam crescendo acima de 10% de um ano para o outro. Dentro desse universo, já considerado de elite para os padrões brasileiros, há um grupo que ainda cresce sempre acima da média das empresas negociadas na Bovespa.
A pedido do Grupo Estado, a consultoria Economática elaborou um ranking das empresas de capital aberto que apresentaram crescimento rápido e constante de receita desde 2003. A Vale do Rio Doce encabeça a lista. Mesmo com seu porte gigante, ela conseguiu mais que dobrar o faturamento nos últimos três anos - ele saiu de R$ 19,4 bilhões em 2003 para os atuais R$ 45,2 bilhões. Neste ano, com a incorporação da canadense Inco, a roda que move a Vale vai girar ainda mais rápido.
No total, 25 empresas entraram no ranking. Para fazer parte dele, teriam de apresentar crescimento acima de 20,4% de 2003 para 2004; de 10,3% de 2004 para 2005 e, finalmente, de 9,2% de 2005 para 2006.
O levantamento incluiu 232 empresas de capital aberto, com valores nominais de receita, sem ajuste de inflação. A Petrobras, com faturamento de R$ 158 bilhões em 2006, não entrou no cálculo para não distorcer o resultado geral. Há razões particulares que explicam o crescimento de cada uma das empresas que aparecem na lista. Por trás desse desempenho espetacular, existe também uma mudança estrutural no ambiente de negócios do País.
No Brasil, elas tiveram mais acesso ao capital (seja por meio da Bolsa, de empréstimos com juros mais baixos ou de fundos que compram participação em empresas), ficaram mais competitivas e se abriram ao mundo, exportando mais e se internacionalizando nos últimos anos. É uma melhora alimentada não só pela competência dos seus administradores, mas também pelo crescimento da economia mundial, puxado pela China.
''O Brasil está a um passo de alcançar o grau de investimento. A melhora dos números tem reflexos fora e dentro do País. O Brasil ganha mais credibilidade perante os investidores e as empresas se beneficiam disso'', diz o coordenador do curso de MBA em Empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas, Marcus Quintella. ''Com o fim da inflação, as empresas também tiveram de ficar mais bem administradas e eficientes para sobreviver.''
SAIBA MAIS
Por ordem de faturamento em 2006, os dez primeiros do ranking foram
1 - Companhia Vale do Rio Doce
2 - AmBev
3 - Itaúsa
4 - Cemig
5 - TAM
6 - Copel
7 - Caraíba Metais
8 - Weg
9 - Natura
10 - Suzano Petroquímica


