Grupo de Cairns discute propostas para a OMC
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Bernardo de La Pe¤a Agência Estado 
RIO - Os representantes dos 15 países integrantes do grupo de Cairns, responsável por 20% das exportações agrícolas no mundo, passaram o dia de ontem discutindo propostas para o documento em que formalizarão sua posição para a rodada de negociações agrícolas da Organização Mundial de Comércio, em 1999. De acordo com o ministro chefe do Departamento Econômico do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, os representantes dos países membros do grupo de Cairns, criticaram principalmente a posição da União Européia no mercado agrícola mundial. A UE, assim como os EUA não abrem mão do subsídio e de taxas que protegem seus agricultores.
A União Européia não é uma vilã, mas os Estados Unidos sempre foram mais apoiados pelo grupo de Cairns, afirmou. Segundo ele, a posição americana tem sido mais construtiva. O diplomata informou que hoje deve estar pronto um documento conjunto de Cairns, indicando além de outras coisas a necessidade de avançar no processo de troca de informações. De acordo com Graça Lima, o Comitê de Agricultura da OMC, orgão responsável por zelar pelos compromissos assumidos entre os países membros, deverá ter um papel de análise destas informações. É importante abastecê-lo com estudos para subsidiar as negociações na nova rodada.
Para o diplomata, o Brasil pode produzir estudos sobre o caso do frango, por exemplo, que tem problemas de entrada na Europa. Ele citou o exemplo das cotas tarifárias (limites estabelecidos para as importações de produtos) que podem ser útil em um primeiro momento, como instrumento de abertura. Mas que, de acordo com Lima, pode permitir que haja um engessamento se não houver progressividade na redução da cota. O objetivo é que a OMC controle mais os mercados, explicou Graça Lima.
O que o grupo de Cairns quer é a eliminação das barreiras que impedem o livre comércio. O diplomata lembrou que os outros países podem apresentar estudos sobre o crédito (financiamento) à exportação, por exemplo. Ele contou ainda que foram discutidas, durante a manhã de ontem, várias propostas buscando maior liberalização do mercado agrícola internacional.
Os membros do grupo de Cairns consideraram positivos alguns aspectos da nova legislação americana, informou o diplomata. A nova lei, entre outras coisas, estabelece o pagamento em dinheiro a agricultores americanos para não plantar produtos que podem agravar o mercado quando a tendência for de super_oferta.
O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, que participou da reunião, disse que os países membros do Mercosul querem um cronograma mais intenso destas reuniões interministeriais do grupo de Cairns. Atualmente ocorre uma por ano. Porto informou que o Brasil exportou em produtos agrícolas US$ 12,8 bilhões e importou US$ 2,3 bilhões no ano passado. Para este ano, segundo o ministro, a previsão é de que a exportação de produtos agrícolas movimente US$ 15 bilhões. Ele se queixou das restrições, principalmente ao frango na UE e ao suco de laranja nos EUA.
Durante o encontro, foi formalizada a inclusão do Paraguai no grupo de Cairns, terceiro membro do Mercosul. O grupo de Cairns é formado por Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Fiji, Filipinas, Hungria, Indonésia, Malasia, Nova Zelândia, Paraguai, Tailândia e Uruguai. O nome do grupo é originado na cidade australiana de mesmo nome, onde foi realizada a primeira reunião do bloco.


