Grupo busca redução de impactos ambientais
Para o professor e biólogo Mário Luis Orsi, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a construção de hidrelétricas no Rio Tibagi, em especial a Usina Mauá, trará prejuízos irreversíveis à biodiversidade. Orsi diz que não é contra a construção de hidrelétricas, desde que em rios apropriados, o que não é o caso do Tibagi, onde há projeto para a construção de outras usinas.
O biólogo faz parte do Grupo de Estudos do Meio Ambiente da Usina Mauá (GEM) que busca alternativas para reduzir o impacto do reservatório no meio ambiente. Há estimativas de que 30 espécies podem desaparecer e que cerca de 7 mil animais vertebrados de grande porte podem morrer com o alagamento da área. Estes animais vão deixar seu habitat natural e passam a competir por espaço com outros animais, podem ser caçados e boa parte vai morrer atropelada. Entre estes animais estão a onça parda, a onça pintada, a irara, o cateto, a queixada, a anta e macacos.
Segundo o professor, o Tibagi é o último rio que mantém uma diversidade de peixes entre a região Centro-Sul e o Norte do Paraná, mas que estará seriamente comprometida com a formação do reservatório. Orsi, que é estudioso da fauna aquática do Tibagi, diz que as espécies mais afetadas serão a piracanjuba, o dourado, o pintado e o corimba e que as piaparas e os cascudos ''serão dizimados''.
O professor cita ainda que o alagamento vai causar o êxodo da população ribeirinha e de índios, além de acabar com 5 mil hectares de mata nativa. Ele aponta outra questão que considera muito séria. Na área a ser alagada há restos de minas de carvão que foram exploradas na região e que vão contaminar a água com metal pesado. ''Isso é inevitável e será um problema de saúde pública mesmo'', alerta.
Orsi não acredita na eficácia dos 34 projetos socioambientais a serem implementados pelo Consórcio Cruzeiro do Sul. ''São todos projetos questionáveis, sem a aplicabilidade que deveriam ter'', afirma. (E.A.)





