Curitiba - Apesar da instabilidade política e econômica do Brasil, que afetou negativamente as vendas do mercado da beleza, o Grupo Boticário conseguiu crescer em 2015. Enquanto a meta era fechar este ano com 50 novas lojas, o grupo conseguiu emplacar 75 novos pontos de venda das quatro unidades de negócio: O Boticário, Eudora, quem disse, berenice? e The Beauty Box. Mas o presidente do grupo, Artur Grynbaum, preferiu não arriscar números finais antes do fim de dezembro. "Este ano está sendo muito atípico. Se você me perguntar qual será o resultado do Natal, eu não sei te dizer. E estamos no dia 3 de dezembro", afirmou.
Ele acredita que o resultado será positivo, mas não passará de um dígito, ficando menor que os 14% alcançados em 2014. "Sabíamos que 2015 seria um ano mais difícil. Ainda assim conseguimos aproveitar boas oportunidades de ampliação da atuação das nossas quatro marcas. A abertura de lojas exigiu mais atenção, mas fazemos o nosso futuro hoje e precisamos olhar não apenas para este período. Depois de 2015, vêm 2016, 2017 e é preciso estar preparado", afirmou Grynbaum. Na manhã de ontem os executivos do grupo reuniram a imprensa para uma visita à fábrica, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) e coletiva para apresentar um balanço de 2014.
O grupo paranaense atinge 3.962 pontos de venda no Brasil, sendo a maioria de lojas da marca O Boticário: 3.762. Em segundo lugar vem quem disse, berenice?, com 142 lojas. Neste ano, 1.300 novos produtos foram lançados. Um projeto chama bastante atenção. O Boticário é a primeira empresa brasileira a desenvolver a pele humana em laboratório. Especialistas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, inaugurado em 2013 na unidade de São José dos Pinhais, já usam o material para o teste de matérias-primas e produtos acabados (cremes, loções e maquiagem).
O fundador do Boticário, Miguel Krigsner, procurou passar uma análise otimista do cenário, apesar do momento de dificuldades. Ele lembrou que desde que abriu a primeira loja, uma farmácia de manipulação no centro de Curitiba, em 1977, atravessou muitas crises. "Nas crises anteriores, havia uma reação muito mais rápida", comparou. Um planejamento a médio e longo prazo é o que está ajudando o grupo a atravessar com resultados positivos essa fase complicada da economia. Nos últimos três anos, o Grupo O Boticário investiu R$ 1 bilhão. Há um ano inaugurou na Bahia uma fábrica e um centro de distribuição.
Os últimos 12 meses se constituíram um período para repensar e redesenhar a estrutura do grupo, processos e aumentar a integração com os franqueados, privilegiando a agilidade nas decisões e preparando a estratégia de enfrentamento para os próximos 10 anos. Grynbaum não acredita que o cenário terá uma melhora importante em 2016. Não arrisca previsões nem para 2017. "Mas a gente tem uma crença muito grande nesse País. Não estaríamos passando por um período desses sem a crença de ter um País melhor", disse Grynbaum.

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