Os novos donos dos serviços da Ferroeste começam a partir de 1997 a adquirir locomotivas e vagões para que em três anos a ferrovia transporte cerca de quatro milhões de toneladas. As compras totais de material rodante devem chegar a 30 locomotivas e 600 vagões. O grupo assume a Ferroeste em 17 de fevereiro, quando será assinado o contrato que transfere os serviços da ferrovia ao grupo vencedor do leilão realizado anteontem na Bolsa de Valores do Paraná.
A meta de colocar a ferrovia em plena operação até 1999 foi anunciada ontem por Renato Abreu, diretor de uma das empresas vencedoras do leilão de privatização dos serviços da Ferroeste, a Montagem e Projetos Especiais (MPE), do Rio de Janeiro.
‘‘Queremos atingir rapidamente a meta de transportar quatro milhões de toneladas. Isso deve acontecer em três anos’’, disse. Abreu explica que a entrega dos vagões e locomotivas pode ser imediata e que os recursos estão disponibilizados no mercado internacional, dependendo apenas da agilidade administrativa no processo.
A MPE, através de sua subsidiária Gemon, encabeça o consórcio vencedor do leilão, que inclui ainda as empresas FAO Empreendimentos e Participações Ltda, controlada pelo grupo de investidores do Banco Interfinance, e a Pound S/A, fundo de investidores organizado pelo Eurobanco. A participação da empresa sul-africana Comazar no grupo como sócia está em fase de negociação.
A MPE, que realiza diversas obras no Paraná - entre seus clientes estão a Petrobrás e Porto de Paranaguá -, é a empresa que está recuperando 20 locomotivas para a Rede Ferroviária Federal S/A, que serão repassados à Ferroeste para já em 1997 transportar um milhão de toneladas.
Este ano, em operação experimental, a ferrovia conseguiu transportar menos de 300 mil toneladas. A empresa precisa atingir a meta de transporte de 1,5 milhão de toneladas, segundo determina o contrato de subconcessão da Ferroeste aos novos donos. Isso significa que a partir do ano que vem mais de 30% da carga do Oeste do Paraná deve ser transportadas via ferrovia.
O diretor Renato Abreu, da MPE, que tem 12 mil hectares plantados de soja em sua fazenda no Mato Grosso do Sul, explica que como produtor sabe dos custos do frete na composição de preços do grão. ‘‘Como produtor estou na outra ponta, a do usuário, e sei o que pesa a tarifa nos custos da produção agrícola’’. Segundo ele, mais de 35% de seu preço final na soja está relacionado com o frete.
O consórcio Associação dos Participantes ainda não tem projeções de custo para a tarifa, mas informa que ela deve ser ‘‘bem mais barata’’ que a de seu concorrente, o transporte rodoviário.
O grupo vencedor do leilão, que deve criar uma nova empresa para a Ferroeste, espera resultados de seu investimento em um prazo de cinco anos. ‘‘Vamos realizar investimentos altos nos primeiros anos’’, informa o diretor da MPE. Abreu diz que estão previstos também investimentos nos ramais de conexão da Ferroeste para Foz do iguaçu e Guaíra.

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