O grupo argentino Socma - Sociedade Macri - assume dentro de 30 dias o controle do frigorífico Chapecó, em Santa Catarina. O valor pago é de US$ 60 milhões, mas a transação inclui uma dívida financeira total de RS$ 310 milhões. Atuando desde 1994 no País, a empresa tem planos arrojados para o futuro.
Com um faturamento estimado em US$ 160 milhões para este ano, a Socma quer fechar 2001 com uma receita em torno de US$ 1 bilhão apenas na área de alimentos, sendo US$ 700 milhões provenientes do Brasil. Através da Canale, ela controla a área de alimentos no mercado brasileiro. O grupo estima faturar US$ 3,5 bilhões.
Presente no segmento de farináceos, a empresa passa a atuar no mercado de carne suína e de aves, reservando a bovina apenas para a Argentina. ‘‘Em um ano estaremos operando full-time’’, afirma Dacio Pozzi, presidente da Socma. O objetivo, conta, é conquistar o 3º lugar no ranking até final de 1999.
‘‘Vamos fazer o negócio crescer através de novas aquisições. Já temos em vista a compra de outros frigoríficos’’, afirma. Segundo Pozzi, a ‘‘Socma também está participando da formação de alguns grupos que disputam a compra da Santista’’.
A Chapecó vinha enfrentando dificuldades financeiras há vários anos. A última operação de salvamento foi patrocinada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que no começo do semestre passado injetou cerca de R$ 45 milhões na empresa e impôs gestão profissional. Luiz Carlos Mendonça de Barros, então presidente do BNDES, assumiu a presidência do conselho de administração, numa tentativa de dar credibilidade à operação. Na lista de credores do frigorífico constam o Banco do Brasil, Banco Mundial e Banespa. A empresa fatura cerca de R$ 250 milhões ao ano e tem potencial para chegar a RS$ 350 milhões. Ultimamente vinha operando com apenas 30% da capacidade instalada.
Planos Pozzi explica que a intenção da empresa é ampliar cada vez mais seus negócios no Brasil. O próximo passo da Socma é entrar no setor de lácteos. ‘‘Já estamos sondando algumas empresas’’, afirma.
Além de alimentos, o grupo opera, na Argentina, nos setores de gestão de serviços públicos, informática, telecomunicações, e automotivo. Já fabricou a linha Fiat e Peugeot. Com a entrada em operação da Fiat na Argentina, o grupo ficou apenas com a Peugeot. ‘‘Detemos apenas 29% das ações’’, afirma.
Recentemente a Socma, junto com o Banco Bandeirantes, ganhou licitação para administrar os 5 mil postos de correios argentinos. A empresa argentina venceu também a licitação para a reconstrução da Rodovia das Cataratas - Guarapuava- Cascavel-Foz do Iguaçu -, que exigirá investimentos de US$ 550 milhões.

mockup