O grupo alemão Deutsche Telekom pôs um pé nos Estados Unidos, ao comprar ontem a operadora de telefonia móvel VoiceStream, apesar de a transação poder provocar a oposição de alguns políticos norte-americanos. Os boatos que corriam na imprensa há semanas se tornaram realidade: o gigante alemão se apoderou da VoiceStream por US$ 50,7 bilhões.
Segundo muitos especialistas, o presidente da Deutsche Telekom, Ron Sommer, que repetia vez por outra, há um ano, seu interesse por uma compra nos Estados Unidos, pagou um preço muito caro. ‘‘Não é nenhuma pechincha’’, segundo Robert Vinall, analista do DG Bank. ‘‘Se for observado o número de acionistas, custou caro’’, afirma por sua vez Ralf Hallmann, do Bankgesellschaft Berlin.
Cada acionista da VoiceStream tem direito a pouco mais de 20.000 dólares, uma soma recorde para uma companhia de telefonia móvel. A bolsa de Frankfurt recebeu a notícia sem alvoroço. As ações da companhia semi-estatal baixaram 3,26% no meio da manhã, num mercado em alta no geral. Apesar da grande soma desembolsada, a operação realizada pela Deutsche Telekom continua sendo lucrativa.‘‘Os Estados Unidos são o maior mercado do mundo’’, lembra Hallmann. Antes de cortejar a VoiceStream, Sommer tentou comprar outras operadoras nos Estados Unidos, como QWest e Sprint, segundo vários jornais.
O Estado alemão ainda tem cerca de 58% da Deutsche Telekom. Numa entrevista publicada esta segunda-feira pelo semanário alemão Der Spiegel, Sommer lança uma campanha de sedução aos norte-americanos. ‘‘Não viemos como invasores, mas para criar empregos. Por isso insisto: a liberalização não é uma via de mão única’’, declarou.

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