Grupo ajuda meninos a arrumar emprego
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
Estão precisando de empregados?. A frase é repetida inúmeras vezes por dia pelo empresário Ivan Dutra, um dos idealizadores de um projeto do Núcleo Espírita Irmã Scheilla, que já colocou 292 jovens no mercado de trabalho em Londrina. Incansável, ele tenta arrumar vagas para seus protegidos quando entra numa loja para comprar sapatos, ao abastecer seu veículo num posto de combustível e até durante uma compra no supermercado.
Moradores da favela Marabá, ou das imediações, os meninos são pobres, não têm experiência e, na maioria das vezes, nem estudo. Muitos já estiveram envolvidos com drogas ou cometeram algum tipo de crime antes de procurar ajuda no grupo.
Anualmente, o Núcleo realiza oficinas profissinalizantes de marcenaria, costura industrial, datilografia, computação, artesanato, microinformática, auxiliar de hotelaria e auxiliar de pedreiro. Também temos um curso semanal de preparação para o trabalho, com conceitos cristãos. Queremos que os meninos aprendam a ser bons trabalhadores, enfatizou Dutra. No próximo ano, está previsto a inclusão de um curso de sapateiro.
As oficinas duram de três a dez meses, com aulas de uma a cinco vezes por semana, e são feitas através de convênios com fundações, entidades e prefeitura municipal. Nos últimos cinco anos, a média de colocação no mercado de trabalho é de dois jovens por mês. É um bom índice, considerou Dutra.
Ele contou que a idéia de ajudar os meninos surgiu há 14 anos, logo após a realização de um curso de datilografia na favela. Os meninos saíram com o diploma mas não conseguiram emprego. Foi aí que decidimos pedir uma chance para eles, disse. Dutra afirmou, porém, que não precisa apelar muito para o lado emocional do empresariado. Todo mundo necessita de mão-de-obra de boa qualidade. É isso que eu ofereço.
Para viabilizar os empregos, o grupo, composto atualmente por cerca de 50 voluntários, paga as despesas com encargos sociais durante os três primeiros meses, além de se responsabilizar por qualquer dano causado pelo funcionário. Nunca tivemos um caso de roubo ou qualquer tipo de prejuízo, afirmou Dutra. Ele disse que todos os jovens são registrados, recebendo pelo menos um salário mínimo por mês.
Entre os empregadores estão Embrapa, MC Cópias, Tecplaca, Papelon e Mister Sheik. Dutra também é sócio-proprietário do Inbrape, onde emprega 20 jovens da favela Marabá. A laboraterapia é o melhor meio de recuperação. Já tiramos muitos meninos das ruas. Além de ganhar dinheiro sem precisar recorrer ao crime, os garotos mudam de ambiente, conhecendo outra realidade e pessoas diferentes.
A lista atual de desempregados no Núcleo é de cerca de 30 pessoas. O projeto é desenvolvido através de doações de empresas e pessoas físicas. Neste ano, o Núcleo formou 90 profissionais, de 14 a 21 anos. Depois das aulas, os meninos ganham uma refeição gratuita. As famílias dos mais necessitados também recebem cestas básicas todos os meses.
Há um ano e meio, o Núcleo também implantou um supletivo, com aulas três vezes por semana. Um dia, ao questionar um aluno sobre suas metas, ele respondeu que, sua projeto profissional era arranjar um emprego, sua meta moral era deixar de roubar e sua meta educacional era fazer um supletivo, explicou Dutra.


