Gros cobra liberdade para definir preços
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terça-feira, 05 de novembro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro O presidente da Petrobras, Francisco Gros, disse ontem que o programa de investimentos da companhia, com um orçamento anual em torno de US$ 7,2 bilhões, depende da definição de uma política de preços para os combustíveis. ''A viabilização do programa depende essencialmente da capacidade de geração de recursos da companhia. E esta depende dessa discussão atual sobre preços de derivados. É daí que vem nossa geração de caixa'', explicou.
Os preços dos combustíveis foram liberados em janeiro e deveriam acompanhar a cotação dos produtos no mercado externo. Devido à desvalorização cambial e às turbulências no mercado de petróleo, a Petrobras passou a segurar os preços dos dois principais derivados gasolina e diesel desde junho. Para piorar, o gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, sofreu intervenção do governo, que determinou à estatal que reduzisse seu preço de venda do produto.
Na última sexta-feira, após o fim da campanha eleitoral, a empresa anunciou reajustes em praticamente todos os seu produtos, incluindo gasolina, diesel e GLP. Especialistas do setor estimam que a Petrobras deixou de faturar até US$ 300 milhões por mês durante o período sem reajustes.
Gros informou que 86% dos recursos a serem investidos são provenientes do caixa da companhia. A empresa está trabalhando em uma ampliação do planejamento estratégico, que ia até 2005, para os dois anos seguintes. O executivo ainda disse que a carteira de investimentos, que ultrapassa os US$ 30 bilhões, não contempla projetos com ''razões sociais'' e é trabalhada segundo a rentabilidade dos investimentos.
Segundo ele, a Petrobrás tem 2/3 do seu capital nas mãos de investidores privados, o que impõe limites à maneira de ser administrada. ''A Petrobras não é uma empresa do governo. Ela é controlada pelo governo'', destacou.


