Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, afirmou ontem ser favorável a fortalecer o mercado de capitais brasileiro
para dar às empresas nacionais condições de competir em uma economia aberta. Gros rejeitou o protecionismo. ‘‘O mundo está se tornando cada vez mais aberto e é importante saber que soluções que foram válidas nas décadas de 70 e 80 não valem mais’’, afirmou, em entrevista coletiva em seu apartamento no condomínio Parque Guinle, em Laranjeiras, na zona sul.
A política de desestatização é uma maneira de fortalecer o mercado de capitais, na avaliação de Gros. ‘‘Cada vez mais, o processo de privatização tem de ser coordenado com ênfase no desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil’’, afirmou. Outras medidas necessárias citadas pelo novo presidente do banco foram a maior pulverização de ações das empresas brasileiras e o aumento de sua transparência.
Ele reconheceu que o programa de privatização, atualmente, perdeu rapidez por causa das discussões que ainda não foram resolvidas sobre o saneamento e geração de energia elétrica, áreas previstas para passar para a iniciativa privada. Mas para Gros, isso é uma consequência natural. ‘‘Em um processo de privatização, primeiro você vende o que é mais fácil’’, afirmou.
O sucessor de Andrea Calabi ressalvou que o fortalecimento das empresas brasileiras é uma decisão que cabe a elas próprias. ‘‘Não cabe ao governo ou ao BNDES tomar qualquer decisão nesse sentido’’, avisou. Mas, alertou, se as empresas não se fortalecerem, o processo de desnacionalização da economia brasileira será ‘‘inexorável’’.
O novo presidente do BNDES afirmou que sua entrada não representa nenhuma mudança ‘‘fundamental’’ na política de atuação do banco. ‘‘Todos os programas em andamento serão mantidos’’, afirmou. Gros declarou que aceitou o convite pela ‘‘vontade de contribuir’’, como nas outras vezes em que deixou a iniciativa privada para trabalhar no governo, seja no BNDES ou no Banco Central (BC). Nos próximos dias, ele disse que pretende conversar com a equipe dirigente do banco – que vai ser mantida no cargo, afirmou.

AS PARANAENSES
•Araucária:Com 480 megawatts, terá demanda diária de 2 milhões de metros cúbicos. O início das obras está previsto para este ano ano e, a conclusão, para o segundo semestre de 2002. A Copel, a Gaspetro e a empresa americana El Paso investirão US$ 300 milhões no negócio, que usará gás boliviano.
•Pitanga: Com 25 megawatts, tem previsão de demanda de 150 mil metros cúbicos por dia. A construção do empreendimento começa até o final deste ano e a inauguração deve acontecer em meados do próximo ano. O investimento de US$ 15 milhões deve ser rateado entre a Copel, Petrobras e sócios privados (ainda não definidos). A usina vai utilizar o gás dos poços de Barra Bonita 1 e 2, de Pitanga.
•São Mateus do Sul: Com 70 megawatts, tem investimento previsto de US$ 70 milhões. O grupo de empreendedores ainda está em formação e deve contar com a Copel e Petrobras, além de grupos privados. As obras estão previstas para começar no final do próximo ano, devendo ficar prontas no final de 2003. A termoelétrica vai usar xisto produzido na usina mantida pela Petrobras no município.
•Figueira: Com 100 megawatts, exigirá investimentos de US$ 70 milhões. O único empreendedor será a Copel. O início da construção está previsto para o final deste ano e, a conclusão, para meados de 2003. A usina vai queimar carvão mineral produzido na própria região.

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