Grito da terra reúne 3,5 mil em Brasília
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Demétrio Weber Agência EstadoDe Brasília 
Cerca de 3.500 trabalhadores rurais participaram ontem do Grito da Terra 2001, na Esplanada dos Ministérios. Eles levaram três carros de boi até a frente do Palácio do Planalto. Os animais simbolizaram o ritmo das políticas públicas para os pequenos agricultores, trabalhadores rurais e sem-terra.
Viemos negociar a nova pauta e protestar contra o que não foi cumprido nas negociações anteriores, disse o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos. A entidade denuncia que o governo teria prometido aplicar R$ 4,1 bilhões no custeio e investimento agrícola nos últimos 12 meses, mas liberou apenas R$ 1,6 bilhão.
A entidade reivindica a liberação de cerca de R$ 8 bilhões para o próximo ano agrícola, que começa no mês que vem, além da revogação da medida provisória que impede a vistoria de terras invadidas e o fim do cadastramento de trabalhadores rurais, para efeito de reforma agrária, apenas via formulário nos Correios.
Nossa maior briga não é em relação ao volume de recursos nem aos juros, mas para tirar o dinheiro do banco, afirmou o assessor de Política Agrícola da Contag, Paulo Poleze. Entre as mais de cem reivindicações do movimento, está a criação de um fundo governamental que os pequenos agricultores possam oferecer como garantia, aos bancos, no momento de solicitar empréstimo.
Os manifestantes chegaram à Esplanada por volta das 8h30. O protesto ocupou três das seis pistas e não houve incidentes. Eles passaram o resto do dia no canteiro central diante do Congresso. Diferentemente de anos anteriores, o Grito da Terra 2001 não tem a participação de outras entidades, como o Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Segundo o tenente-coronel da Polícia Militar Nildo Fiorenza, o policiamento contou com 600 homens. Até o fim da tarde, eles permaneciam bloqueando a entrada de alguns ministérios, como o da Saúde e o da Previdência.
A pauta de reivindicações da Contag foi apresentada em abril ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Os agricultores permanecerão em Brasília até amanhã. Comissões da Contag estão se encontrando com técnicos do governo. Ontem as reuniões foram nos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Previdência e da Integração Nacional.
Para hoje pela manhã está prevista a eleição do brasileiro mais corrupto. Depois haverá nova reunião com representantes do governo.


