Grito da Terra reivindica menos informalidade no campo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Neste ano as principais reivindicações apresentadas durante a 18ª edição do Grito da Terra Paraná foram a informalidade no campo e a falta de assistência técnica. De acordo com dados divulgados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), hoje cerca de 60% dos trabalhadores da área rural no Estado não possuem carteira de trabalho assinada.
Ontem, as solicitações dos agricultores foram levadas para o governador Beto Richa pelas lideranças sindicais ligadas à Fetaep. Segundo o presidente da entidade, Ademir Mueller, o governo estadual se comprometeu a disponibilizar as agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine) para ajudar a combater a informalidade. "Assim, o empregador buscaria o trabalhador no Sine", disse.
"Dessa forma, eliminaríamos a terceirização irregular e a figura do gato - atravessador que contrata trabalhadores rurais oriundos de diversas regiões do Estado e do País submetendo-os a condições precárias - como transporte e alojamento impróprios e baixos salários, além da falta de registro em carteira - chegando a sujeitá-los a condições análogas à escrava, comentou Mueller.
Em 2012, por exemplo, foram resgatados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Ministério Público do Trabalho (MPT) 256 trabalhadores nessas condições. De acordo com o MTE, o Paraná só ficou atrás do Pará, com 563 trabalhadores resgatados, e do Tocantins, com 321.
O governo sinalizou ainda que vai lançar um edital para a realização de concurso com o objetivo de contratar 400 agrônomos e técnicos agrícolas para a Emater ainda neste ano. Richa prometeu também dar continuidade para a regularização fundiária no Estado que já tem 4 mil propriedades regularizadas e, para 2014, a meta é regularizar outras 4 mil.
O Grito da Terra existe desde 1995 e reúne milhares de trabalhadores em busca de melhores condições de vida, trabalho e renda. A manifestação, por possuir um caráter reivindicatório, pode ser considerada como uma espécie de data-base dos agricultores familiares, dos trabalhadores sem-terra e dos assalariados rurais brasileiros.


