''Grito'' da Terra pressiona por crédito e fiscalização
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quarta-feira, 08 de agosto de 2001
Vânia Casado<BR>De Curitiba 
O movimento Grito da Terra Brasil-Paraná, organizado pela Fetaep, levou ontem cerca de mil trabalhadores a um protesto em frente ao Palácio Iguaçu. Eles pressionam por financiamento para o plantio. Em passeata, os trabalhadores também se dirigiram ao Banco do Brasil, ao Incra e à Delegacia Regional do Trabalho, pedindo fiscalização no meio rural.
No Banco do Brasil os agricultores reivindicaram aumento de 50% na liberação de recursos do Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar (Pronaf). No ano passado foram liberados R$ 160 milhões nas linhas de crédito do Pronaf, que permitiram atender 80 mil famílias.
Ao receber uma comissão do Movimento, o governador Jaime Lerner renovou em mais R$ 2 milhões os recursos para o Fundo de Aval para a Agricultura Familiar, que vão permitir alavancagem de financiamentos para investimentos na propriedade.
O governador se comprometeu ainda a transformar o Fundo de Aval em Fundo de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fundaf) até o final do ano, através de projeto de lei que poderá ser enviado à Assembléia Legislativa. A regulamentação do fundo é a garantia que os agricultores familiares pedem para que o Fundo de Aval seja permanente. Da forma como está, eles temem que quando acabar o governo Lerner, acaba também o Fundo de Aval, disse o diretor da Fetaep, Ademir Mueller.
O presidente da Fetaep, Antonio Zarantonello, disse que vai cobrar esse compromisso assumido pelo governador. Se o Fundo de Aval não for transformado em fundo permanente, vamos retornar no final do ano para cobrar e não para conversar como estamos fazendo agora, afirmou.
Para este ano, estão reivindicando R$ 240 milhões em recursos para o custeio da safra de verão para o atendimento de 120 mil famílias. Zarantonello disse que no ano passado, só o Paraná captou 60% dos recursos direcionados ao Pronaf em todo o País. Mesmo assim, os recursos disponíveis não atendem toda a demanda, disse. Segundo levantamento na Fetaep, no ano passado mais de 5 mil pequenos agricultores que apresentaram projetos no BB não foram atendidos porque os recursos haviam sido esgotados.
O gerente de Agronegócios do Banco do Brasil, Gueitiro Matsuo Genso, disse que o banco vai liberar os recursos assim que for autorizado. O BB está aguardando a equalização dos juros que deve ser feita pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário ou pelo Banco Central. A equalização dos juros é o mecanismo que permite o banco emprestar o dinheiro com juros inferiores aos da captação. A diferença é bancada pelo Tesouro Nacional. Na agricultura familiar, os juros de custeio são de 4%, com rebate de 25% para quem saldar o financiamento em dia.


