Não há qualquer relação epidemiológica entre a gripe suína e a humana. Isto significa que a doença que alarmou o mundo neste final de semana não foi transmitida pelos porcos. O alerta é feito por especialistas e associações de produtores, que afirmam não haver risco de adoecer a partir da ingestão de carne suína ou de contatos com os animais. Além disso, não há qualquer registro da doença no Brasil, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O risco de transmissão da gripe no País ocorre somente a partir dos humanos, uma vez que não há importação de animais vivos.
O rebanho paranaense - o terceiro maior do País - não corre qualquer risco de contaminação, segundo Marco Antônio Teixeira Pinto, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Defis/Seab). ''O rebanho não corre perigo no momento, apenas estamos de sobreaviso para evitar que a doença chegue aqui. Hoje as criações são fechadas e não há troca de animais'', afirma. Em nota à imprensa, o Mapa afirma que não há restrição ao consumo de carne suína e de outros produtos de origem suína (até mesmo porque o cozimento destrói o vírus), uma vez que não há animais infectados ou doentes com a virose mesmo nos países onde casos humanos foram identificados.
Além disso, o comunicado acrescenta que ''o sistema de vigilância do serviço veterinário oficial do Brasil, incluindo a Vigilância Agropecuária em portos, aeroportos e postos de fronteira está em alerta permanente''. A assessoria de imprensa do ministério esclarece que todo produto importado deve ter um certificado sanitário, emitido pelo país exportador. Para o professor de Doenças dos Suínos do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Geraldo Camilo Alberton, foi ''um grande erro'' batizarem a doença de gripe suína. ''O H1N1, que tem infectado humanos, não está causando problemas em suínos'', afirma.
Ontem, a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) emitiu comunicado em que sugere que a doença seja chamada de ''influeza norte-americana'', uma vez que outras enfermidades surgidas no mundo ganharam denominação de caráter geográfico. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) acrescenta que, por enquanto, não há registro de que o vírus tenha sido isolado no porco. O professor da UFPR explica que a variante surgiu porque um animal foi infectado simultaneamente com os vírus da influenza suína, humana e aviária. A partir daí, houve a replicação dos vírus e, então, surgiu um novo que reúne material genético dos outros três.
Vacina
Existe no mundo uma vacina para a gripe suína para aplicação veterinária. Nentanto, o produto não é mais usado no rebanho porque não há circulação viral. Alberton explica que a doença tem ciclo curto no suíno, variável de quatro a seis dias, e que os sintomas são semelhantes ao da gripe humana, como problemas respiratórios, tosse, espirro e descarga nasal. ''O prejuízo para os suínos é na queda na produção porque há perda de peso'', diz.

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