Gripe muda de nome, mas ainda prejudica
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sábado, 09 de maio de 2009
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
Itapetininga (SP) - Os produtores rurais que já comemoravam a reação nos preços dos principais produtos agrícolas, como a soja, o milho e a cana, tomaram um susto com uma queda repentina na cotação do suíno vivo. O preço do porco em pé, no frigorífico, caiu de R$ 46 a arroba para R$ 40 em uma semana na região de Itapetininga, sudoeste do Estado de São Paulo.
Os produtores culpam a gripe suína. Não tem outra explicação, pois o mercado, que vinha em baixa desde a crise financeira, estava reagindo, disse o gerente de produção da fazenda Anália Franco, Fernando Chavarelli Galvão. Embora a doença tenha sido rebatizada de gripe A (H1N1), o produtor acredita que a população ainda a relaciona, de forma equivocada, com o consumo da carne suína.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Neto, atribui a queda no preço do suíno a uma pequena turbulência causada pela gripe. Houve muita confusão, mas parece que as coisas estão se ajustando.
A queda no valor da carne suína segue na contramão de uma tendência de alta dos preços agrícolas. A soja, por exemplo, ajudou a fazenda Anália Franco a recuperar parte das perdas com os porcos. Com uma produção de 3,2 mil quilos por hectare - boa para o padrão de terras para a região em cultura não irrigada -, a fazenda vendeu a R$ 50 a saca de 60 quilos. Um preço excelente, disse Galvão.
Os cultivos da segunda safra, a chamada safrinha, perderam até 30% por causa da estiagem nas principais regiões produtoras: norte e noroeste do Paraná, centro-sul de Mato Grosso do Sul e sudoeste de São Paulo. A fazenda da Associação Anália Franco está em plena colheita do milho safrinha. Galvão estima o custo de produção em cerca de R$ 17 por saca. Precisa subir um pouco mais para ficar bom.


