Gripe do frango gera empregos no Paraná
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sexta-feira, 05 de março de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Ao contrário da Ásia que acumula prejuízos diários com a influenza aviária famosa gripe do frango o Brasil ganhou novos clientes e mais empregos. Segundo Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), o setor deverá aumentar em 25% seus contratos de exportação e o número de postos de trabalho.
Na região de Londrina, dois frigoríficos contrataram mais de 650 pessoas no último mês. De acordo com Danilo Hernandes Irigoite, diretor industrial do Big Frango, a explosão da gripe do frango favoreceu a empresa que, desde o ano passado, planejava aumentar sua exportação. ''Ampliamos em 60% nossa capacidade de produção que está comprometida por contratos até o final do semestre'', disse o executivo ao lembrar que 30% do total é destinado ao mercado externo.
O oeste do Estado também ajustou sua produção à demanda inesperada da Europa que é um dos principais consumidores do frango produzido na Ásia. O assistente de exportação da Coopacol, João Paulo dos Santos, disse que a empresa previu essa crise e admitiu entre 60 e 70 novos funcionários para atender a todos. Além de contratações, o frigorífico Diplomata precisou também diminuir o volume destinado ao mercado interno no primeiro momento. Levando em consideração que a empresa adquiriu uma nova unidade em Xaxim (SC) no ano passado, a expectativa é que as exportações absorvam 40% da produção. ''A influenza aviária apenas acelerou o processo e sozinha ela provocará um crescimento de 15%'', disse Clovis Antonio Pereira, diretor comercial do Diplomata.
A queda na oferta do produto elevou em 15% o preço do quilo do frango no exterior e no Brasil. De acordo com Irigoite, o frango vivo chegou a R$ 1,42/quilo em fevereiro, ou seja, 25% de acréscimo em relação ao mês anterior. Na opinião de Pereira, essa situação não deve durar muito porque o Vietnã, que é um dos grandes produtores de frango da Ásia, já pediu o posto de área livre da influenza depois de 53 dias sem registro de novos casos.
Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de frango e o maior exportador. Em 2003, o País vendeu dois milhões de toneladas para 120 países que pagaram US$ 2 bilhões pelo produto. O Paraná é responsável por 20% da produção nacional, ou seja, o primeiro colocado no ranking nacional com o abate de 80 milhões de cabeças/mês. ''Conseguimos essa colocação graças à qualidade, preço e agressividade com que enfrentamos os concorrentes'', explicou Martins.


