Gripe aviária afetaria 11 municípios do PR
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de março de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Paraná tem 11 municípios que empregam mais de mil funcionários cada um no setor avícola que seriam os mais vulneráveis caso a gripe aviária chegasse ao Brasil. Estes municípios estão localizados nas Regiões Oeste e Sudoeste. A presença da gripe aviária nestes municípios poderia afetar toda a economia destas localidades porque as indústrias aviárias representam de 40% a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) destes municípios.
Os números foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) durante do Seminário para Avaliar Impactos da Gripe Aviária na Economia do Paraná. Segundo o supervisor técnico da entidade, Cid Cordeiro, estes dados são um mapa para os órgãos públicos atuarem. De acordo com ele, caso a gripe chegue ao Brasil, atingirá a geração de empregos no setor avícola e vai trazer mais demandas na área de saúde. Só no mês de janeiro, o setor já demitiu 200 trabalhadores no Paraná e as indústrias adiaram investimentos.
O Dieese estima que, se a gripe aviária tornar-se uma pandemia, 10 mil empregos diretos e 29 mil a 45 mil indiretos poderiam ser cortados no Paraná, o que significa 30% do total de vagas no setor. Em dezembro de 2004, o segmento avícola empregava 31.899 pessoas que tinham um salário médio de R$ 670,29.
Entre os 30 maiores municípios do Brasil que empregam no setor de aves, 11 eram do Paraná em dezembro de 2004: Toledo, Cafelândia, Rolândia, Matelândia, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Cascavel, Palotina, Paranavaí, Lapa e Londrina.
Cordeiro disse que é possível buscar oportunidades na crise. Ele lembra que a pandemia é rápida e conjuntural. Como o Paraná produz frango com qualidade, poderia aproveitar o momento pós-crise para conquistar mercados e diversificar a lista de produção. ''Na retomada de uma eventual crise, a indústria de aves do Paraná pode ampliar mercados'', disse.
Representantes do setor no Paraná, informaram que a indústria não quer demitir mas ajustar a produção que estava aquecida e gerava hora extra e trabalho aos sábados e domingos. Agora, as empresas deixaram de operar nos finais de semana e cortaram as horas extras. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas no Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, o grande problema está nas empresas que focaram as vendas no mercado internacional. A indústria avícola tem como objetivo reduzir a produção de frango de corte em pelo menos 20% este ano. Esta meta surgiu por conta da queda nas exportações causadas ela diminuição nos níveis de consumo nos países importadores. Hoje a média mensal de exportações de frango no Brasil é de 160 mil toneladas, contra 240 mil toneladas em setembro-outubro do ano passado.


